Agressão verbal: 7 sinais de abuso que você não deve ignorar

Atualizado: Jan 28



A agressão verbal é uma das marcas de um relacionamento tóxico.


Num primeiro momento, pode parecer simples identificar esse tipo de violência, porque a associamos a gritos e xingamentos. Porém, tal definição é bastante equivocada.


A verdade é que a brutalidade das palavras se anuncia de diferentes formas. E, nem sempre, elas são tão explícitas quanto imaginamos.


Talvez seja até pior quando humilhações e insultos aparecem disfarçados de “brincadeira” ou supostas “preocupações” com o bem-estar da pessoa.


Isso confunde a vítima, ocasionando a negligência dos sinais de abuso.


Em consequência, ela pode ser levada a se questionar, pensar que o comportamento do agressor é normal e até assumir a culpa pelas reações.


Então, como reconhecer diferenças entre discussões comuns e indícios de abuso emocional? Afinal, o que é agressão verbal? Quais características da fala devem receber nossa maior atenção?


Confira orientações no texto a seguir.


Agressão verbal ou discussão normal?


Todo relacionamento tem seus dias ruins. Brigas acontecem e, no calor das emoções, palavras amargas podem vir à tona.


O problema é quando esses dias ruins, esses atritos, se tornam cada vez mais frequentes.


Numa discussão normal, há trocas de argumentos e, ainda que contrariados, os envolvidos sabem escutar e dar espaço ao outro. A voz pode até se alterar, mas isso é uma exceção — nunca uma regra.


Já nos abusos verbais, o respeito se ausenta. Não há uma troca, que visa compreensão mútua. O diálogo é soterrado por acusações, humilhações, ameaças e imposição de controle sobre o parceiro.


Dito dessa forma, as diferenças podem soar óbvias. Porém, não podemos esquecer que o agressor também é um manipulador.


Ele é capaz de se justificar, pedir desculpas, transferir a culpa de seu comportamento para a própria vítima.


Também é comum que as agressões aumentem gradualmente. No início do relacionamento, tudo pode ser perfeito. É com o ganho da intimidade e da confiança que os abusos tendem a aparecer.


Agressão verbal: 7 formas comuns de abuso no relacionamento


A agressão física é inquestionável. A dor e as marcas são evidentes, sem margens para interpretações subjetivas.


O mesmo não ocorre quando os danos são psicológicos.


A destruição da autoestima e o acúmulo de feridas emocionais são processos internos. Seus reflexos são mais sutis que hematomas ou cicatrizes.


No entanto, a violência verbal é, no mínimo, tão impactante quanto a física.


Logo, precisamos conversar sobre o que pode ser considerado uma agressão verbal. Informação é a melhor estratégia para nos afastarmos de relacionamentos tóxicos e ajudar outras pessoas a evitar tal armadilha.


Conheça os principais sinais de alerta:


1. Críticas à aparência


O abusador deprecia escolhas de roupas ou reclama de aspectos físicos, como peso, estatura, cabelo, unhas…


Diante da desaprovação, a vítima pode buscar se adaptar ao gosto do parceiro, abrindo mão de sua personalidade e sentindo vergonha de suas características.


2. Desprezo pelas realizações


Numa relação saudável, os parceiros comemoram o sucesso, um do outro. Já num relacionamento abusivo, as conquistas de uma das partes ficam à sombra. Como se fossem tolas ou insuficientes.


Também é comum que, diante de um grande êxito, o agressor se coloque como responsável pela realização, esvaziando o mérito da vítima.


Ou, ainda, atribua o sucesso a um golpe de sorte, favorecimento de terceiros ou outras situações alheias ao talento.


3. Xingamentos


Nesse caso, a agressão verbal pode ser direta, com palavras pesadas como “imbecil”, “ridículo”, “lixo”, “fracassado” — ou humilhações ainda piores.


Mas existem modos mais sutis de xingamentos. Apelidos depreciativos e comentários sarcásticos, por exemplo.


4. Piadas e brincadeiras que magoam


O agressor irá alegar que a vítima não tem “senso de humor” ou “leva tudo muito a sério”, caso seja repreendido.


O fato é que transformar uma situação, uma atitude ou mesmo um “defeito” do outro em motivo de piada, só é aceitável quando as risadas são compartilhadas.


Do contrário, não há graça e, sim, constrangimento.


5. Desrespeito à liberdade de opinião


Por mais íntimos que sejamos de uma pessoa, não necessariamente vamos compartilhar de suas perspectivas. É natural que tenhamos gostos e interpretações diferentes.


No entanto, no contexto da relação abusiva, essa liberdade de pensamento pode ser sufocada.


Por vezes, a estratégia do agressor é paternalista. Como quem conversa com uma criança — ou alguém de intelecto que julga inferior —, ele “ensina” e corrige opiniões da vítima. Inclusive em público, quando o impacto na autoestima é ainda mais significativo, pois causa embaraço.


Em outras circunstâncias, a agressão verbal ocorre num tom ditatorial. O abusador silencia o ponto de vista — ou oportunidades de escolhas — por meio de linguagem impositiva e gritos.


O tom de voz alterado deixa a vítima acuada, com medo.


Até para evitar que a divergência se transforme numa briga mais séria, ela prefere dar razão ao agressor.


Tal perda de autonomia, gradualmente, fragiliza a identidade e amplia o poder de controle do agressor, que faz da vítima uma refém de suas vontades.


6. Ameaças e chantagens


“Se você me deixar, não sei o que seria capaz de fazer”. “Experimente me contrariar e seus pais sofrerão as consequências”. “Se você me ama, precisa esquecer aqueles seus amigos”.


Não teríamos como explorar a variedade de abusos verbais, na forma de chantagem ou ameaça, no tempo deste texto. Portanto, entenda as frases acima como meros exemplos.


Elas podem se apresentar como insinuações veladas ou intimidações violentas. Dirigidas à vítima ou a pessoas com as quais ela se importa. Sugerirem danos físicos, morais, financeiros… Enfim, na esfera onde o agressor perceber o “ponto fraco” da vítima.


7. Gaslighting


É uma prática abusiva bastante complexa, que envolve manipulação, negação e distorção de fatos e informações.


A vítima começa a duvidar de suas percepções, quando o agressor alega que ela está sempre “exagerando”, é “sensível demais” ou, simplesmente, está inventando coisas que “nunca aconteceram”.


O abusador cria sua versão dos fatos e conversas, de modo tão firme e convincente que a vítima questiona sua própria sanidade. Não raro, ela acaba pedindo desculpas pelas atitudes e interpretações equivocadas.


E se você está se perguntando como uma pessoa não percebe que está num relacionamento abusivo, como não reage à agressão verbal, há algo crucial que precisa ter em mente.


Um abusador sabe ser muito sedutor. E paciente.


Antes de revelar seu lado opressor, ele pode se mostrar extremamente atencioso e gentil. Também costuma intercalar atitudes brutas com gestos de carinho.


A habilidade com palavras o torna extremamente persuasivo. Não pense que é fácil escapar de suas artimanhas. Especialmente quando sentimentos de afeto estão envolvidos.


Conviver com a agressão verbal é debilitante. Sair de uma relação nessas condições, sem ajuda, é um grande desafio. E, mesmo após o fim, os traumas emocionais são persistentes.


A busca por psicoterapia é fundamental para o reencontro da autoconfiança e da própria identidade.


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