Avaliação neuropsicológica em Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD)

Atualizado: 5 de Ago de 2019



O Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) é caracterizado por um conjunto de prejuízos cognitivos e de integração sensório-motora que podem afetar o desenvolvimento, sobretudo na infância nos primeiros 5 anos de vida.


Dificuldade nas interações sociais, leitura, linguagem e outros comportamentos atípicos, podem apresentar-se. Quadros de TGD incluem diferentes transtornos, como: Transtorno do Espectro Autista (TEA), Síndrome de Kanner, Psicoses infantis e Síndrome de Rett.


A Neuropsicologia é indicada para atuar na Avaliação e Reabilitação, existe a possibilidade de diagnóstico precoce ainda na infância e quanto antes iniciada a reabilitação, melhores os resultados e a qualidade de vida dos pacientes e familiares.


A seguir, esclareço as principais dúvidas sobre TGD, qual o papel da Neuropsicologia no diagnóstico e reabilitação desses casos e algumas características atípicas apresentadas por essas crianças na fase de desenvolvimento.


Quando procurar um neuropsicólogo?


É fundamental que os pais e educadores tomem conhecimento, pois é através dessa identificação primária, que os casos chegam até nós e possibilita o diagnóstico precoce de suma importância no transtorno do desenvolvimento.


Os primeiros sinais que indicam possíveis transtornos do desenvolvimento cognitivo e social são apresentados na infância. A princípio, serão notadas variações na atenção, coordenação motora, habilidades sociais e dificuldade nas atividades não só no ambiente escolar, como na rotina diária de uma criança.


Algumas características comuns em casos de TGD:


  • Evitam o contato visual e podem apresentar dificuldade de interação. Preferem brincar sozinhos, por exemplo, ao interagir com outras crianças;

  • Estereotipia: ações motoras e comportamentos repetitivos. Exemplo: movimentar o corpo para frente e para trás e outros;

  • Mudanças bruscas de humor sem nenhuma causa aparente. A criança pode ter acessos de agressividade e dificuldade de autocontrole;

  • A comunicação é muito afetada e em alguns casos a fala pode ficar totalmente comprometida, ou seja, a criança não pronuncia frases, o que já seria adequado para a idade;

  • Os interesses são extremamente focados. Podem passar horas observando um objeto e suas formas diariamente;

  • Algumas crianças apresentam ecolalia, repetem a fala dos outros. É comum também fazerem entonações diferentes para essa repetição vocal;

  • Possuem dificuldades motoras incomuns para a idade, por exemplo, em vestir-se sozinho, pegar no lápis ou giz de cera, e outros;

  • Podem possuir comprometimento intelectual, atrasos na escrita, leitura e compreensão. No entanto, não é uma regra, há crianças que não apresentam comprometimento cognitivo, inclusive tiram excelentes notas na escola.

  • Apresentam rejeição ao toque físico e uma maior sensibilidade tátil. Não significa que não gostam de carinho, mas possuem a própria maneira de demonstração;

  • Existem casos severos, como a Síndrome de Rett, por exemplo. Tem inicio a partir dos 18 meses com comprometimento progressivo nas funções motoras e intelectuais, tornando a pessoa completamente dependente dos cuidados. É mais comum em meninas.

  • Na Síndrome de Kanner ocorre paralisação do neurodesenvolvimento e ausência de avanços na comunicação e relacionamentos. Por se tratar de casos com fortes evidências neurobiológicas, a intervenção e tratamento ainda é um desafio.


Variações apresentadas em casos de TGD e a complexidade na precisão do diagnóstico


Graças a disseminação das informações a respeito sobre os Transtornos Globais do Desenvolvimento, mais casos podem chegar até nós, profissionais, o que é positivo.


Porém, é fundamental esclarecer que embora existam classificações pré-estabelecidas com reconhecimento mundial, há muitas variações em cada quadro.


É fundamental uma avaliação precisa e multidisciplinar. O trabalho da Neuropsicologia será na identificação precoce, diagnóstico preciso e por meio da avaliação detalhada a intervenção necessária e individual para o quadro.


Quando a medicação é necessária para reequilibrar as emoções?


Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, possuem características que variam muito entre si. Portanto, seguimos as classificações e ao mesmo tempo, é fundamental compreender sobre essas variações, se são pertinentes ou não ao quadro. Esse é um dos desafios para o profissional Neuropsicólogo ao longo da investigação.


Disseminar sobre as variações é tão importante quanto falar sobre as características mais comuns. No caso de pacientes com TEA, por exemplo, a dificuldade de interação social, comprometimento na comunicação verbal e motora, além da sensibilidade aguçada dos mecanismos sensórios, o que gera rejeição a texturas dos alimentos, toque e sons.


Todavia, essas características não se aplicam para todos os quadros. Há crianças com TEA com comprometimento intelectual, outras não; existem aquelas que possuem dificuldade de interação social, não gostam do toque físico, porém não é uma regra, há outras que são totalmente sociáveis, aceitam bem o toque.


Por conta da complexidade desses quadros existe o trabalho da avaliação neuropsicológica, o que inclui não só os critérios de classificação já estabelecidos nos manuais de diagnóstico.


As funções executivas, capacidade de desenvolvimento e planejamento de estratégias serão avaliadas, levando em conta os resultados individuais e o contexto social em que essa criança está inserida.


O que faz a avaliação Neuropsicológica em casos de TGD:


  • Avalia a possibilidade de lesões, possíveis disfunções cerebrais e mecanismos envolvidos;

  • Investiga aspectos cognitivos, comportamentais e emocionais por meio dos testes direcionados;

  • Os testes consistem em: tarefas objetivas, respostas geradas por questionários e entrevista clínica. A família participa fornecendo informações sobre as dificuldades enfrentadas pelo paciente no dia a dia;

  • Possibilita a precisão do diagnóstico e o direcionamento das estratégias clínicas e educativas para a reabilitação;

  • A avaliação neuropsicológica irá investigar com profundidade as disfunções, tal como as funções que estão preservadas no quadro. O que é fundamental para o planejamento de metas para a reabilitação nos diferentes casos clínicos e contextos individuais.


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