Bullet journal: guia para você começar seu diário em tópicos

Atualizado: Abr 6

Você precisa gerenciar sua rotina e se entender melhor? O método bullet journal vai te ajudar a “rastrear o passado, organizar o presente e planejar o futuro”.


O bullet journal facilita o registro de anotações no dia a dia.

Índice

O que é bullet journal


Pelo nome, você pode suspeitar. A tradução do termo sugere algo como diário de balas — ou diário em tópicos, para dar uma visão mais clara da proposta.


Trata-se de um diário rápido, com um método de organização que utiliza caderno, caneta, símbolos e divisões.


Seu objetivo é ser muito simples, facilitando as anotações — e, por reflexo, a memória e gestão do tempo.


Simplesmente não há maneira melhor de aprender sobre seus processos de pensamento do que anotá-los.” — Barbara Markway

Quem criou o bullet journal


A história de Ryder Carroll — designer, autor de produtos digitais e criador do bullet journal — é interessante.


Em seu Ted Talk intitulado How to declutter your mind — keep a journal (Como organizar sua mente — mantenha um diário) ele comenta que, na infância, foi diagnosticado com transtorno de déficit de atenção (TDA).


Para ajudá-lo a vencer suas dificuldades de foco e aprendizado, precisava obter ferramentas.


Contudo, na época, pouco se sabia sobre o déficit de atenção.


Os poucos recursos que Ryder Carroll encontrou eram muito rígidos, complicados e as técnicas não se adequavam ao seu modo de pensar.


Seu problema o levou a inventar sistemas próprios para tentar organizar melhor seus pensamentos, ideias e o dia a dia.


Na verdade, passou 25 anos experimentando e ajustando técnicas, até chegar a um resultado, definitivamente, funcional — que nomeou de bullet journal (ou BuJo, como também é chamado).


Como funciona um bullet journal


Para explicar como funciona o bullet journal, podemos citar o próprio inventor do método, que — em entrevista ao Evernote — diz:


Essencialmente, o bullet journal é uma estrutura para capturar suas idéias. Ele permite que você acompanhe o que aconteceu com você e permite organizar o que está acontecendo no momento e planejar o futuro.”

Essa estrutura, de acordo com Ryder Carroll, consiste basicamente em 4 pilares:

  • sistema de registros rápidos;

  • divisão do diário em módulos;

  • registro mensal (com um calendário e lista de tarefas);

  • esquema de migração (para selecionar prioridades e descartar distrações).

Tudo o que você precisa é de um caderno em branco, caneta e poucos minutos diários para manter o sistema funcionando.


Para que serve o bullet journal

O diário em tópicos é excelente para quem tem dificuldades com organização.

O bullet journal pode ser usado para:

  • organizar (definitivamente) as listas de tarefas;

  • planejar sua rotina;

  • concentrar lembretes e agendamentos em um único local, evitando a necessidade de diversos aplicativos ou papéis perdidos pelo caminho;

  • criar projetos (de novos hábitos, trabalho, hobby, família, estudos…);

  • gerenciar o desenvolvimento de metas, seguindo um planejamento diário e objetivo;

  • manter ideias e referências longe do esquecimento;

  • rastrear como seu tempo está sendo gasto;

  • registrar seu dia — em termos de humor, pensamentos e comportamentos, permitindo que você enxergue padrões e escolhas que estão (ou não) funcionando para você;

  • descobrir gatilhos de transtornos emocionais;

  • alimentar a criatividade (já que o bullet journal é altamente personalizável).

  • criar uma autobiografia;

  • documentar o dia a dia de seu filho.

Quer você esteja mantendo um diário ou escrevendo como meditação, é a mesma coisa. O importante é que você esteja tendo um relacionamento com sua mente.” — Natalie Goldberg

Passo a passo para fazer o bullet journal


Para começar seu bullet journal, você só precisa de um caderno e caneta. Quem prefere um estilo mais minimalista, logo descobrirá que tais materiais bastam.


Porém, todo o tipo de personalização é possível nesse modelo de organização. Se a adição de cores, colagens e experiências com diferentes canetas e papéis te parece mais convidativa, vá em frente!


Como o entendimento do método fica mais simples com recursos visuais, selecionamos alguns tutoriais para ajudá-lo.


Clique nos links para conferir:

  • Como criar um Bullet Journal (vídeo bem didático, produzido por Ryder Carroll).

  • Se preferir, você pode ler as instruções (e visualizar as etapas) no site oficial do sistema bullet journal.

  • Bullet Journal — Um Guia Para Iniciantes (post da Bruna Guimarães, com imagens ilustrativas do processo, bem como texto descomplicado e objetivo).

  • Como começar um Bullet Journal (prático e simples) — uma live da Thais Godinho, do blog Vida Organizada, na qual ela cria um bullet journal em tempo real, seguindo as orientações originais do método, permitindo que você a acompanhe e faça o mesmo enquanto assiste ao vídeo.

  • Gosta do sistema de passo a passo do site wikiHow? Então clique no link (em azul) e veja o post Como Fazer um Bullet Journal. O tutorial oferece explicações detalhadas para iniciar o seu diário.

  • Prefere aprender com um livro? Saiba que está disponível, em português, o best-seller O método Bullet Journal: registre o passado, organize o presente, planeje o futuro, de Ryder Carroll. Além de ensinar a produzir o diário, o autor conta como chegou à elaboração do BuJo e compartilha histórias de pessoas que aderiram ao método. Inspirador!


Quais os benefícios do bullet journal?


O que torna o bullet journal interessante é que ele foi criado por alguém que compreende, intimamente, a dificuldade de vencer a desorganização.


Logo, embora o sistema possa satisfazer pessoas metódicas, sua função original é atender aqueles que carecem de estratégias fáceis para conseguir administrar melhor sua vida — em diferentes aspectos.


A primeira vantagem do bullet journal é, portanto, ser uma solução prática e simples, mesmo para “mentes bagunçadas”.


Vale a pena tirar 15 minutos para fazer a configuração básica de seu caderno e testemunhar a eficácia da técnica — que vai se aprimorando com o hábito.


Em relatos de quem aderiu ao bullet journal, são mencionados benefícios como:

  • promove economia de tempo;

  • ajuda a identificar — e eliminar — tarefas desnecessárias que soam como pendências importantes;

  • funciona como um exercício de atenção plena;

  • traz ganhos à produtividade;

  • reúne todas as informações úteis num recurso portátil;

  • garante o monitoramento de hábitos e metas;

  • permite visualização rápida de afazeres e realizações ao longo do dia/mês/ano (em função do emprego de elementos simbólicos);

  • instiga a motivação;

  • auxilia a manter rotinas de autocuidados;

  • melhora a caligrafia e, possivelmente, habilidades artísticas;

  • fornece um registro completo da vida;

  • conduz à maior reflexão e autoconhecimento;

  • auxilia na elaboração de objetivos, segmentando projetos em pequenas etapas diárias.

Mantenha um caderno. Viaje com ele, coma com ele, durma com ele. Coloque nele todos os pensamentos perdidos que flutuam em seu cérebro. O papel barato é menos perecível que a massa cinzenta. E as marcações com lápis de chumbo duram mais que a memória.” — Jack London

O bullet journal como estratégia de terapia


Se você faz terapia, provavelmente já recebeu a sugestão de iniciar um diário.


A ideia da prática é obter clareza sobre seus pensamentos, emoções e comportamentos — o que permite maior controle da rotina e condição mental.


Escrever sobre o que ocorre no transcorrer do dia cria um registro físico de quem somos.


Depois de um tempo, ao reler e pensar sobre as palavras que se repetem — ou que se ausentam — enxergamos no diário os nossos padrões, nossos hábitos. Sejam eles saudáveis ou prejudiciais.


Ou seja, o diário torna visual o que está na mente — não só isso, mas vamos partir desse ponto.


Agora, qual a relação do bullet journal com tudo isso?


A questão é que, ao imaginarmos um diário, geralmente o visualizamos como um caderno, preenchido por textos longos, com uma linguagem muito íntima.


Certamente, esse estilo de diário traz importantes contribuições para um processo terapêutico.


Mas ele não é a única opção.


Se você descartou a técnica do diário porque ela lhe pareceu muito demorada, confusa ou sem objetividade, o bullet journal modificará seu entendimento.


O diário é um veículo para o meu senso de identidade.” — Susan Sontag

Por que usar o bullet journal para cuidar da saúde mental

Use o bullet journal para "rastrear" seus hábitos e gatilhos de estresse.

Como já enfatizamos, a proposta essencial do bullet journal é ser um diário muito breve e, realmente, muito rápido.


Para quem não gosta muito de escrever ou não encontra tempo para se dedicar, ele já ganha pontos.


Porém, seu maior atrativo é a estrutura que propõe.


Afinal, podemos até aceitar que a escrita nos faria bem, mas é comum que não saibamos nem por onde começar!


O que é importante anotar? De que forma escrever para achar as partes relevantes depois? Quais perguntas devemos ter em mente para rabiscar respostas?


O que o bullet journal propõe é simplificar tudo isso, oferecendo objetividade para a função da escrita.


Com um sistema de colunas, seções e símbolos predefinidos, esse tipo de diário serve como um norte para a escrita.


Você saberá exatamente o que escrever, onde escrever e como encontrar suas anotações quando precisar delas.


Utilidades do bullet journal para a terapia


Existem diversas especialidades de Psicologia. Mas, para comentar o uso do bullet journal, vamos nos centrar na terapia cognitivo comportamental (TCC) — bastante eficiente no tratamento de depressão, ansiedade e estresse, por exemplo.


Ocorre que a TCC foca em soluções para problemas específicos, que afetam a pessoa em seu presente.


Para ajudar no processo de superação dos incômodos, a terapia cognitivo comportamental propõe que o indivíduo esteja consciente de suas experiências cotidianas.


Isso se aplica aos hábitos (de alimentação, trabalho, lazer, sono…), crenças, pensamentos e sensações (físicas e emocionais).


A partir do cruzamento dessas informações, o terapeuta conduz à percepção dos possíveis gatilhos que levam ao mal-estar crônico.


Ou seja, o processo terapêutico visa identificar conexões entre causas e efeitos, sugerindo substituições ou ajustes em aspectos que se mostram prejudiciais à saúde mental.


Mas como chegar a tais conclusões?


É preciso que o paciente tenha amplo entendimento sobre suas escolhas e comportamentos cotidianos.


E, convenhamos, confiar apenas na memória — tantas vezes traiçoeira — para adquirir essa noção é complicado.


Por isso é tão importante escrever, documentar, registrar eventos assim que acontecem.

Com a organização sucinta, sugerida pelo método do bullet journal, essa tarefa se torna prática e rápida. Livre de “devaneios” ou dúvidas sobre o que pontuar.


Em consequência, a conversa com o psicólogo adquire maior objetividade, uma vez que é possível rastrear — por meio das informações que figuram no diário — padrões e mudanças que impactam no bem-estar.


Existem milhares de pensamentos dentro de um homem que ele não conhece, até que pegue a caneta para escrevê-los". — William Makepeace Thackeray

Para quais problemas o bullet journal é recomendado


O sistema do bullet journal é muito flexível e se adapta aos mais diversos objetivos.


Lembre-se que o intuito principal do bullet é tornar visível o modo como sua mente opera e como isso se espelha em atitudes, sensações e decisões do dia a dia.


A grande vantagem do bullet journal é, portanto, aprimorar o autoconhecimento, gerando insights sobre erros e acertos em sua rotina.


Para exemplificar, podemos dizer que o bullet journal será um excelente recurso para pessoas que enfrentam:

  • transtorno de déficit de atenção (TDA) — pois, originalmente, se propôs a atender essa dificuldade;

  • excesso de procrastinação;

  • desorganização (auxiliando no melhor gerenciamento do tempo e ordem de atividades);

  • ansiedade e depressão — ajudando na identificação de gatilhos e estratégias de enfrentamento funcionais;

  • fibromialgia ou outras dores crônicas — visto que o tratamento para esse tipo de problema inclui a percepção de hábitos potencialmente nocivos ou benéficos;

  • compulsão alimentar;

  • síndrome de burnout e demais doenças associadas ao estresse — uma vez que o registro de metas, tarefas e experiências oferece indícios das causas de sobrecarga, permitindo a reflexão sobre alternativas (ou descarte) frente aos pontos contraproducentes.


Perfis de Instagram de bullet journal


Procurando inspiração para começar seu bullet journal?


Confira estes perfis do Instagram:


Além de apresentarem estilos diferentes de bullet journal, ideias de layouts e propostas de assuntos para registrar no diário personalizado, esses perfis também trazem diversas informações sobre o método BuJo.


Dicas de livros sobre bullet journal

  • O método Bullet Journal: Registre o passado, organize o presente, planeje o futuro, de Ryder Carroll — Editora Companhia das Letras | Fontanar.

  • Diário em tópicos: Guia prático, de Rachel Wilkerson Miller — Editora Sextante.

  • Como fazer um diário em tópicosA.Craft.

  • Journal with Purpose: Over 1000 motifs, alphabets and icons to personalize your bullet or dot journal, de Helen Colebrook (Editora David & Charles).


Tem dúvidas se o bullet journal é interessante para você? Deixe suas perguntas no campo dos comentários!


Mas já vamos avisando: quem experimenta o método, vira fã!




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