Ciclotimia: aprenda a reconhecer os sinais do transtorno



A ciclotimia é um distúrbio de humor que afeta cerca de 0.4% a 1% da população mundial, com incidência equivalente entre homens e mulheres.


Também conhecida como transtorno ciclotímico ou personalidade ciclotímica, a condição pode ser descrita como um tipo de bipolaridade, cujos sintomas são menos severos.


Quem sofre com o problema transita entre momentos de sutil euforia e leve depressão, o que pode dificultar o diagnóstico.


Como as evidências costumam aparecer na adolescência ou início da vida adulta, a possibilidade da disfunção ser confundida com traços de personalidade também colabora para que a busca por tratamento seja tardio.


Embora as oscilações de humor sejam menos agressivas e duradouras que as experimentadas por pessoas com bipolaridade, isso não significa uma vida isenta de prejuízos.


Ao contrário: a falta de entendimento do temperamento instável como indicativo de um transtorno psicológico tende a ocasionar vários entraves ao convívio social, profissional e bem-estar geral.


Este texto irá ajudá-lo a compreender e identificar a ciclotimia. Caso, ao final da leitura, encontre outras dúvidas, não hesite em registrá-las nos comentários!


Causas da ciclotimia


Os motivos que levam alguém a desenvolver a personalidade ciclotímica não são precisos. Contudo, o componente genético é um fator bastante significativo.


Além da hereditariedade, outras possíveis causas são a exposição prolongada ao estresse e experiências traumáticas — desastres naturais, doenças graves e abuso sexual, por exemplo.


Sintomas da ciclotimia


Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o transtorno ciclotímico pode ser diagnosticado quando se verificam as seguintes condições:

  • episódios de hipomania (euforia leve) e depressão (de baixo grau) persistentes por, no mínimo, dois anos;

  • sintomas hipomaníacos e depressivos que não atendem aos critérios de bipolaridade ou depressão maior;

  • oscilações de humor presentes em mais de 50% do tempo;

  • períodos de humor estável com duração inferior a 2 meses;

  • ausência de relação entre os sintomas e o uso de medicamentos, abuso de substâncias ou condições médicas.


Os sintomas típicos da fase depressiva da ciclotimia incluem:

  • apatia;

  • baixa autoestima;

  • isolamento social;

  • sonolência;

  • insônia;

  • irritabilidade;

  • sentimentos de culpa e inutilidade;

  • desânimo em relação às atividades que, antes, davam prazer;

  • distúrbios alimentares;

  • alterações no peso;

  • choro excessivo;

  • sensação de cansaço ou lentidão;

  • dificuldade de concentração;

  • pensamentos suicidas ou de automutilação.


Já os sintomas hipomaníacos mais comuns são:

  • otimismo e bom-humor exacerbados;

  • aumento da libido;

  • impulsividade;

  • agitação;

  • necessidade de poucas horas de sono;

  • fácil distração;

  • maior disposição para atividades físicas;

  • pensamento e fala acelerados;

  • autoestima elevada.


Viver nessa “gangorra” de emoções faz com que a pessoa que tenha ciclotimia seja percebida como alguém difícil de confiar.


No trabalho, os altos e baixos logo serão atestados pela incongruência da produtividade. Do entusiasmo, o comportamento poderá passar a impressão de descaso, em pouco tempo.


A situação de inconstância também traz reflexos para os relacionamentos. As mudanças no estado de espírito, disposição e apetite sexual tendem a deixar as pessoas próximas bastante confusas.


E, sem saber que as oscilações de humor derivam de uma disfunção na saúde mental, a interpretação pode recair sobre o julgamento do caráter.


Diagnóstico da ciclotimia


O procedimento padrão, quando existe suspeita de transtorno psicológico, é descartar outras causas dos sintomas. Logo, antes de qualquer sugestão de tratamento, são solicitados exames laboratoriais e de imagem.


Quando tais exames não indicam nenhuma “anormalidade”, o próximo passo é a avaliação por parte de profissional da saúde mental. A partir dos relatos dos sintomas, será possível identificar — ou descartar — a ciclotimia.


Além de conversas e questionários psicológicos, outra estratégia que auxilia no diagnóstico é a manutenção de um diário, no qual o paciente registra suas sensações e comportamentos. As anotações contribuem para evidenciar a gravidade dos sintomas e sua relação de tempo.


Tratamento da ciclotimia


Além de afetar a vida social, profissional e romântica, a ciclotimia pode evoluir para transtorno bipolar.


Outro risco é fomentar comportamentos destrutivos, como abuso de álcool, drogas e imprudência financeira — uma vez que a impulsividade é característica da fase hipomaníaca.


Portanto, a busca por tratamento adequado deve ser priorizada.


A terapia cognitivo-comportamental (TCC) costuma ser a primeira indicação, pois permite a compreensão dos comportamentos e pensamentos nocivos, levando à mudança de padrões.


Somado ao acompanhamento terapêutico, medicamentos estabilizadores do humor, antidepressivos e antipsicóticos podem ser recomendados, de acordo com os tipos e gravidade dos sintomas.


Não existe uma cura para transtorno ciclotímico, mas com a persistência no tratamento, os sintomas são amenizados.


É importante enfatizar que, sem tais cuidados, a condição não se dissipará sozinha. Ignorar sinais de que a saúde mental necessita de atenção apenas deixará a vida mais difícil.


Quando verificamos um incômodo físico, não titubeamos em procurar opinião médica. Precisamos aprender a ter o mesmo zelo quando são as nossas emoções que avisam sobre perigos à qualidade de vida.


Caso você tenha se identificado com as características da ciclotimia que pontuamos neste texto, procure por auxílio profissional. Se acredita que o quadro se aproxima de alguém de sua convivência, sugira a leitura deste post e ofereça apoio para seus próximos passos. #Psicologia #Psicóloga #VilaMariana #Psicoterapia #Ciclotimia #SaúdeMental

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