O que é cleptomania?

Cleptomania: o que é? Quais suas causas? Qual o perfil do cleptomaníaco? É possível controlar o impulso de roubar? Saiba tudo neste artigo.


como identificar um cleptomaniaco
Cleptomania é um transtorno do controle de impulsos, caracterizado pela incapacidade de evitar a vontade de roubar.

Conteúdo abordado neste texto:


O que é cleptomania


Cleptomania, ou furto compulsivo, é um distúrbio de saúde mental, caracterizado pelo impulso incontrolável de roubar itens que, geralmente, não possuem grande valor e não representam uma necessidade material.


De acordo com o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a cleptomania é um tipo de transtorno de controle de impulso.


Na CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde), a condição é descrita como roubo patológico (código F63.2), correspondendo à seguinte definição:


"O transtorno é caracterizado por falhas repetidas em resistir a impulsos de roubar objetos que não são adquiridos para uso pessoal ou ganho monetário. Os objetos podem, ao invés, ser jogados fora, presenteados ou armazenados."

Ou seja, pessoas acometidas por esse tipo de transtorno não conseguem resistir ao desejo de, repetidamente, realizar o ato — mesmo tendo consciência de que sua ação é prejudicial a si mesmas e aos outros.


Estima-se que a cleptomania seja uma condição experimentada por cerca de 0,3 a 06% da população, sendo três vezes mais frequente no sexo feminino.

Você também pode se interessar pelo artigo que explica o que é mitomania (a compulsão de mentir). Para ler o texto, clique no link em azul.

O que leva uma pessoa a desenvolver cleptomania?


As causas da cleptomania carecem de mais estudos para que possam ser melhor compreendidas.


Contudo, as pesquisas disponíveis sugerem que o roubo compulsivo está relacionado a:


Qual o perfil do cleptomaníaco?


O perfil do cleptomaníaco é distinto daquele percebido em ladrões que roubam motivados por cobiças materiais, vingança, raiva ou rebeldia.


O ganho do cleptomaníaco está na sensação temporária de prazer e alívio que experimenta ao concretizar o furto.


Porém, a gratificação é passageira e logo se transforma em sentimentos de culpa, vergonha, medo e autodesprezo.


É comum que os cleptomaníacos escondam os objetos de seus roubos e nunca os usem.


Por vezes, os descartam.


Também podem doá-los ou devolvê-los, secretamente.


Não há um planejamento prévio: o cleptomaníaco age impelido por uma súbita excitação, tensão e ansiedade, que só se resolve com a ação furtiva.


Ele atua sozinho e toma extremo cuidado para não ser pego. Como sente muita vergonha pelo que faz, não costuma contar a ninguém sobre sua condição.


Com muita frequência, cleptomaníacos roubam em lugares públicos — lojas e supermercados. Mas não é incomum que roubem de amigos, colegas de trabalho e familiares.


O início dos episódios cleptomaníacos costuma ocorrer na adolescência ou começo da fase adulta — embora se desenvolva mais tardiamente, em alguns casos.


"Os indivíduos com cleptomania descrevem o impulso para furtar como 'incongruente com o caráter', 'incontrolável', ou 'moralmente errado'. Ainda que um sentimento de prazer, gratificação ou alívio seja vivenciado no momento do furto, os indivíduos descrevem sentimentos de culpa, remorso ou depressão logo após. Em geral, devido a esse sentimento de vergonha, os indivíduos com cleptomania apresentam-se para o tratamento muitos anos após o início dos furtos." [*]
Faz parte do típico perfil de cleptomaníacos roubar objetos de pouco valor material.
É comum que cleptomaníacos roubem objetos de pouco valor material.

Complicações e condições que podem estar associadas ao “vício em roubar”

  • Transtornos de personalidade.

  • Bipolaridade.

  • Distúrbios Alimentares.

  • Abuso de álcool ou drogas

  • Depressão.

  • Ansiedade.

  • Ideação suicida.

  • Outros distúrbios de controle de impulso (compulsão por compras ou jogos, por exemplo).

"Os indivíduos com cleptomania sofrem prejuízo significativo em sua capacidade de funcionar social e ocupacionalmente. Muitos pacientes relatam pensamentos intrusivos e impulsos relacionados a furtar que interferem em sua capacidade de concentração em casa e no trabalho. Outros relatam ausências ao trabalho, em geral à tarde, depois de saírem cedo para furtar nas lojas. Com o prejuízo funcional que os indivíduos com cleptomania vivenciam, não é surpreendente que eles também relatem uma qualidade de vida ruim. (...) Alguns pacientes consideraram até o suicídio como uma forma pela qual poderiam parar de furtar." [*]

Há cura para a cleptomania?


A cleptomania é um transtorno crônico, que não tem cura — mas tem tratamento.


A psicoterapia mais recomendada para a cleptomania — assim como para outros distúrbios de controle de impulso — é a terapia cognitivo comportamental (TCC).


Ela auxilia o cleptomaníaco a identificar seus impulsos, compreender os motivos de seu comportamento e encontrar formas alternativas de lidar com a compulsão.


Caso necessário, o tratamento psicoterapêutico é complementado com medicação (antidepressivos e ansiolíticos), prescritos por um psiquiatra.


Como ajudar um amigo com cleptomania?


Para ajudar um cleptomaníaco a superar sua condição, você precisa estar ciente de duas coisas.


Primeiro: sim, a pessoa sabe o que faz e sabe que é errado.


Segundo: ela não consegue controlar seus impulsos, pois trata-se de um distúrbio na saúde mental que, sem tratamento, pode perdurar por longo tempo.


Portanto, ao conversar com seu amigo, saiba que você não deve soar condescendente, minimizando o significado do ato. Mas, se quiser ajudá-lo, também não pode agir como quem repreende um ladrão comum.


Procure abordar o assunto manifestando preocupação com o comportamento que vem percebendo e pergunte ao seu amigo se ele entende o porquê de seus furtos.


Seja objetivo ao dizer que notou a recorrência das situações — se você perguntar, é bastante provável que o cleptomaníaco irá negar os roubos e encerrar a conversa.


Adote uma postura empática para que o cleptomaníaco possa se sentir minimamente confortável e consiga desabafar como se sente frente ao problema.


Essa conversa pode ser muito difícil e, talvez, você não obtenha muita informação. Mas, se o cleptomaníaco observar que você não o está rejeitando, rotulando ou estigmatizando, ele se mostrará mais aberto à sua ajuda.


Tratada com respeito e entendimento, a pessoa com distúrbio compulsivo tende a interpretar a sugestão de tratamento com menor resistência.


Compreenda que seu papel fundamental é, justamente, aconselhar a busca por avaliação profissional.


Sozinho, dificilmente o cleptomaníaco consegue se desvencilhar da compulsão. E você, por melhor intencionado que seja, não possui conhecimento para ajudá-lo a controlar seus impulsos.


Incentive-o a procurar um especialista que trabalhe com terapia cognitivo comportamental.


Lembre-o que existe a opção de terapia online. Conversar com um psicólogo pela internet pode ser mais conveniente para pessoas que se sentem constrangidas em relação aos seus problemas.


A boa notícia é que, com tratamento adequado, a cleptomania pode ser gerenciada. E isso evitará consequências desastrosas à saúde emocional, aos relacionamentos, bem como a aspectos financeiros e jurídicos do cleptomaníaco.

Referência dos trechos citados neste texto:

[*] GRANT, Jon E e ODLAUG, Brian L. Cleptomania: características clínicas e tratamento. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2008, vol.30, suppl.1, pp.S11-S15.

Você tem outras dúvidas sobre cleptomania? Gostaria de sugerir algum assunto para próximos textos? Deixe sua contribuição no campo dos comentários!


Clínica de Psicologia Nodari

Clínica de Psicologia Especializada em Terapia Cognitivo Comportamental.

Está localizada na Vila Mariana/SP

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