Como a terapia cognitivo comportamental pode me ajudar na compulsão alimentar?



A compulsão alimentar é considerada um transtorno quando ocorre com certa frequência — pelo menos 2 vezes por semana, num período de 6 meses.


Ou seja, caso você abuse da comida em ocasiões esporádicas — datas festivas, por exemplo — não se preocupe. É um comportamento normal, sem maiores danos à sua saúde.


Compreender a diferença entre excessos eventuais e sinais de um distúrbio alimentar é um passo fundamental.


Afinal, é preciso saber reconhecer o problema para entender a necessidade — e possibilidades — de tratamento.


Neste texto, explicamos como a terapia cognitivo comportamental pode ajudar na compulsão alimentar.


Mas, antes de falarmos sobre estratégias de controle, vamos entender um pouco mais sobre as características específicas do transtorno.


Siga a leitura!


Compulsão alimentar: como identificar?


Destacamos a noção de periodicidade como primeiro indício. Mas a recorrência dos episódios não é o único sintoma do problema.


Confira, a seguir, outros sinais de alerta da compulsão alimentar:

  • sensação de falta de controle sobre o que ou o quanto se come;

  • ingerir grande quantidade de comida num curto intervalo de tempo;

  • comer com voracidade, de modo muito mais rápido que o normal;

  • comer até se sentir desconfortável (muito “cheio”);

  • ingerir excesso de alimentos, mesmo sem sentir fome;

  • comer escondido ou longe de outras pessoas, para evitar constrangimento;

  • sentimento de culpa e vergonha após os episódios compulsivos.


Quais as causas do transtorno de compulsão alimentar?


Os motivos que levam uma pessoa a comer compulsivamente são variáveis. Dentre as principais hipóteses, é preciso considerar:


Independente das causas, a compulsão alimentar periódica tende a gerar sérios danos à saúde física e mental.


Portanto, caso você identifique semelhanças entre as características do transtorno e seu padrão de comportamento, busque ajuda profissional.


Embora possa parecer difícil, é possível transformar sua relação com a comida.


O problema é que, quando avaliamos uma dificuldade por conta própria, nem sempre chegamos a soluções eficientes.


Podemos, inclusive, agravar a situação, procurando alternativas rápidas — como automedicação e dietas extremas.


Com orientação apropriada, você conseguirá descobrir as origens do problema. E contar com os recursos mais oportunos para tratar, definitivamente, sua condição.


Por que a terapia cognitivo comportamental é indicada para compulsão alimentar?


A terapia cognitivo comportamental (TCC) é o tratamento que traz melhores resultados para o controle da compulsão alimentar.


Isso porque, por meio da TCC, é possível descobrir — e alterar — padrões de pensamentos e emoções, que levam ao comportamento disfuncional frente à comida.


Diferente de outras formas de terapia — como a psicanálise —, a TCC é estruturada numa quantidade limitada de sessões, que visam atingir um objetivo específico.


Para tanto, o terapeuta realiza um processo que inclui conversas, mas não se restringe a elas.


Na verdade, a abordagem da TCC é bastante prática, contando com propostas de intervenções e tarefas cotidianas, que elaboram uma nova interpretação do ato de comer.


Dentre as técnicas de terapia cognitivo comportamental mais oportunas ao tratamento da compulsão alimentar, podemos mencionar:


1. Psicoeducação


Além de compartilhar informações sobre o transtorno durante as sessões, é provável que o psicólogo estimule o paciente a ampliar seu conhecimento por meio de leituras sobre o tema.


O conjunto de referências permite melhor compreensão sobre causas e consequências do comportamento disfuncional, em seus múltiplos aspectos.


Essa consciência favorece o diálogo entre terapeuta e paciente — bem como o comprometimento com o programa de tratamento —, uma vez que o propósito das estratégias apresentadas se mostra tangível.


2. Automonitoramento


O registro, por escrito, é uma técnica muito presente na TCC.


O hábito permite que a pessoa possa observar padrões que conduzem às circunstâncias indesejadas.


Uma das solicitações comuns é a manutenção de uma tabela, dividida em 3 colunas.


No primeiro campo, anota-se a situação concreta — o momento em que ocorreu um episódio de compulsão alimentar. Para ilustrar, digamos que o fato foi uma discussão no trabalho.


Na segunda coluna, deve-se pontuar os pensamentos que estavam presentes naquela situação. Por exemplo: “minhas habilidades são insuficientes para esta função”, “minha opinião nunca é considerada”, “por que não consigo me impor?”, etc.


Na terceira coluna, cabe relatar os sentimentos e emoções decorrentes do evento — raiva, frustração, tristeza…


Conforme a tabela ganha informações, é possível perceber quais são os gatilhos recorrentes da compulsão alimentar.


Esses dados são discutidos com o psicólogo, que ensina estratégias para desafiar pensamentos e crenças disfuncionais, alterando o resultado comportamental.


Outra anotação importante de automonitoramento em transtornos alimentares diz respeito às refeições.


O ideal é que se registre tudo o que foi ingerido, em qual horário e respectivo estado de humor (sensações).


É um estímulo a manutenção da disciplina alimentar e percepção do que suscita a “queda em tentação”.


Nas sessões de TCC, há ênfase na manutenção de hábitos regrados, sendo sugerido que a pessoa se alimente de 3 em 3 horas — pois ficar muito tempo sem comer colabora para que se coma em excesso, nas quebras de jejum.


3. Estratégias de enfrentamento


Certamente, é necessário aprender a gerenciar as emoções negativas que levam à compulsão alimentar.


Para chegar a esse objetivo, o terapeuta apresenta recursos que permitem a interrupção dos pensamentos disfuncionais.


Atenção plena, técnicas de relaxamento e adoção de alternativas para distrair impulsos compulsivos são exemplos dessa abordagem.


Vale ressaltar que a TCC também abarca a prevenção de recaídas, propondo exercícios oportunos a tais situações.


Embora o padrão de terapia cognitivo comportamental para compulsão alimentar seja, em média, de 4 a 5 meses de tratamento, é possível que o número de sessões se altere.


Tudo depende da avaliação do profissional, programa sugerido e adequação quanto às estratégias.


Independente das características individuais do tratamento, o objetivo é, sempre, de conferir autonomia ao paciente, para que ele possa desenvolver resiliência à compulsão alimentar, sem necessitar de constante supervisão.


A terapia cognitivo comportamental foca na mudança estrutural de pensamentos, o que garante resultados a longo prazo. Essa premissa vale para qualquer situação na qual a TCC seja aplicada.


Se você quiser saber mais sobre os assuntos que abordamos neste texto, fique à vontade para registrar sua dúvida ou sugestão no espaço dos comentários.


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