Entenda o que é mitomania, a compulsão de mentir


Mitomania é a tendência compulsiva de contar mentiras. É um comportamento patológico, crônico, que geralmente tem suas raízes na infância.


O mitômano — termo utilizado para denominar alguém que manifesta tal inclinação — é muito diferente dos mentirosos ocasionais.

Por exemplo: certamente, você já cometeu “pequenas desonestidades”. Fez isso para evitar algum constrangimento, parecer mais interessante, agradar alguém, escapar de um problema…

Não importa o quão “nobre” — ou não — foi sua motivação. A questão é que você tinha um propósito com a mentira.

No caso dos mentirosos compulsivos, esse porquê é, no mínimo, bastante impreciso.

Além disso, a frequência das mentiras é extraordinária, a ponto da vida do mitômano ser uma completa ficção.


Mas o que leva uma pessoa a adotar tal comportamento? Como reconhecer a mitomania?

Se você está curioso para entender melhor a condição, continue a leitura deste artigo.

Quais as causas da mitomania?


Não há consenso sobre as causas exatas da mentira patológica. No entanto, diferentes estudos apontam possíveis explicações, tais como:


Em relação ao último ponto mencionado, cabe um adendo.

É importante informar que o DSM-5 (edição mais recente do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) não reconhece a mitomania como uma condição de saúde mental isolada.

Contudo, o Manual cita a mentira compulsiva em vários momentos, a situando como característica de transtornos maiores, como:


Como reconhecer um mentiroso compulsivo?


Estes são alguns sinais e características que podem lhe auxiliar a identificar mentirosos patológicos:

Os benefícios da mentira não são claros


Mitômanos podem inventar histórias sobre qualquer coisa, de situações cotidianas a eventos grandiosos. E, quando buscamos entender a justificativa dessas fabulações, muitas vezes, não conseguimos compreender a necessidade dele ter forjado tal realidade.


A mentira aparece como um hábito, um impulso, que não se atém a um propósito específico.


Perceba a diferença: pense em algumas mentiras que você já contou na vida. Ao lembrar desses episódios, você conseguirá enxergar os motivos (pressões) que o impeliram à escolha de “inverdades”.


No caso dos mentirosos crônicos, essas razões são intangíveis. Eles apenas parecem decidir criar um relato, espontaneamente.

O mentiroso crônico costuma se apresentar como herói ou vítima


Em suas histórias, o mitômano desempenha papéis notáveis.


Você perceberá que ele é sempre o protagonista, nunca um mero observador ou coadjuvante.


Buscando adulação e simpatia, ele pode inventar que sofre com uma terrível doença ou narrar tragédias pessoais, por exemplo.


Muitas mentiras envolvem feitos extraordinários


Mentirosos patológicos, geralmente, falam sobre realizações profissionais impressionantes ou experiências pessoais invejáveis.


Seus relatos levam a crer que suas vidas são muito interessantes, permeadas por episódios de sucesso, destaque e felicidade.


Podem alegar conhecer pessoas famosas, frequentar lugares cobiçados, possuir itens valiosos, gozar de grande prestígio no mercado de trabalho ou ter sensacionais aventuras no currículo.


Problemas de autoestima podem estar por trás desse comportamento.


Ao considerar que suas vidas e personalidade não são suficientes para cativar a atenção dos outros, os mitômanos optam por se descrever da forma como gostariam de ser — e não como são.

As histórias parecem plausíveis


O mentiroso crônico é inteligente e elabora suas narrativas de forma a torná-las críveis.


Assim, frequentemente, ele utiliza referências à realidade, exagerando em alguns pontos e acrescentando outros.

Também é comum que se aproprie de narrativas de outras pessoas, incluindo situações que viu no noticiário ou num filme.

Isso dificulta ainda mais a descoberta da mentira, já que ela pode refletir um acontecimento real. Apenas não aconteceu com a pessoa que alega a ter vivido…


Mentirosos patológicos não gostam de ser questionados


Obviamente, ninguém gosta de ver sua credibilidade em dúvida. Contudo, nos casos de mitomania, as reações às perguntas podem ser bastante desproporcionais.


Mesmo questionamentos pertinentes, sutis, são capazes de deixar o mentiroso contrariado e, até, agressivo.


Quando escutam uma pergunta para a qual não estavam preparados, podem se tornar evasivos e defensivos.


Se encurralados de forma a não encontrarem outra saída, talvez confessem a mentira — já que têm consciência de suas fabulações.

No entanto, mesmo admitindo a desonestidade, provavelmente tentarão acobertá-la, inventando novas histórias e promovendo um grande emaranhado de (des)informações.

As mentiras começam cedo


Provavelmente, em seu primeiro contato com o mentiroso compulsivo, você já ouviu uma série de inverdades.

Eles não desejam que você os conheça como são, pois isso tornaria as mentiras futuras inconsistentes.

Mentirosos compulsivos são sedutores


Como exibem uma personalidade fascinante, costumam ter facilidade para atrair pessoas.


Contudo, seus relacionamentos — namoros, amizades e relações profissionais —, geralmente, são breves ou instáveis.


Quando farsas começam a ser descobertas, é natural que acabem afastando as convivências. Porém, nem sempre essa iniciativa parte de quem ouve a mentira.


Os mitômanos sabem que, quanto maior a proximidade e participação dos outros em sua vida, mais difícil será sustentar sua versão fictícia. Logo, propositalmente, podem evitar relacionamentos longos ou com maior intimidade.


Confrontar a mitomania, buscando desmascarar o mentiroso com provas, não resolve o problema. Ele não irá mudar o comportamento, só porque foi desmascarado.


Se você deseja ajudar uma pessoa com essa condição, busque formas de incentivá-lo a procurar por um psicólogo. Pode ser difícil convencê-lo. Portanto, seja gentil e paciente.


Como sempre, fique à vontade para compartilhar suas dúvidas e experiências, no espaço dos comentários.

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