Esquizofrenia: o que é, quais suas causas, sintomas e tratamento



A esquizofrenia é um transtorno mental grave e crônico, que afeta cerca de 1,1% da população mundial.


Na origem etimológica do termo, encontramos a síntese da principal característica do distúrbio — a ruptura com a realidade.


A palavra, cunhada pelo psiquiatra Eugen Bleuler, no início do século 20, soma duas expressões gregas: skhizein (cujo significado é fender, rasgar, dividir, separar) e phrên ou phrênios (que pode ser traduzida como pensamento, mente).


Dessa explicação, podemos depreender o motivo pelo qual a perturbação é também conhecida como distúrbio da mente dividida.


Ou seja, pessoas esquizofrênicas sofrem com sintomas — delírios, alucinações, pensamentos e comportamentos desordenados — que comprometem sua interpretação e interação com o real.


Como resultado, acabam enfrentando sérias dificuldades em diversos aspectos de sua vida prática, incluindo relacionamentos e atividades profissionais.


Embora não haja cura para a esquizofrenia, há muita pesquisa sobre o transtorno. Isso possibilita tratamentos cada vez mais eficazes e seguros.


Saiba mais detalhes sobre os sintomas, causas e tratamento da esquizofrenia, na sequência deste texto.


Principais sintomas da esquizofrenia


Os primeiros indícios da esquizofrenia aparecem, geralmente, no fim da adolescência ou início da idade adulta — entre 15 e 30 anos.


Por vezes, os sinais são sutis e o desenvolvimento da doença pode passar despercebido por muito tempo.


Tanto o esquizofrênico quanto as pessoas que convivem com ele são capazes de notar que há algo de errado. No entanto, será difícil definir o que se passa.


Em outras situações, os sintomas são mais pronunciados e o distúrbio evolui rapidamente.


Nesses casos, o contraste no comportamento tende a estimular a busca por avaliação profissional, favorecendo o diagnóstico e tratamento precoce. Isso permite o controle da doença, evitando complicações mais severas e melhores perspectivas quanto à qualidade de vida.


Dentre os sinais característicos da esquizofrenia, podemos listar:


  • Alucinações: sensações irreais percebidas pelo tato, olfato, paladar, visão e, mais comumente, audição (ouvir vozes).

  • Delírios: convicções falsas e ilógicas, como acreditar que os pensamentos podem ser controlados por outros, sofrer com a ideia de ser vítima de perseguição, ter a ilusão de possuir poderes fantásticos ou ser uma figura importante (um personagem histórico, uma celebridade, uma entidade religiosa...).

  • Discurso desorganizado: pensamentos confusos, "nebulosos", que resultam na dificuldade de manter uma conversa coerente. A fala pode se apresentar sem sentido, com mudanças abruptas de assunto, uso de palavras inventadas, obsessão com rimas ou repetições de afirmações, por exemplo.

  • Distúrbios do movimento: expressos por meio de catatonia (postura rígida, estagnada, que se mantém por horas), comportamento agitado e anormal, excessiva lentidão ou gestos repetitivos.

  • Embotamento afetivo: significativa redução da expressão de emoções. Esse sintoma faz com que o esquizofrênico pareça anestesiado, indiferente a situações e conversas. Reações — como riso, choro, demonstração de interesse — se ausentam, revelando uma apatia ou inadequação de respostas.

  • Dificuldades cognitivas: problemas de concentração, memória, inabilidade de compreender instruções e tomar decisões.

  • Avolição: perda da motivação e impulso para realizar atividades triviais, que incluem ações de autocuidado.

  • Anedonia: incapacidade de experimentar prazer.

  • Retraimento social: desinteresse quanto ao convívio com outras pessoas.


Padrões e gravidade dos sintomas variam, de indivíduo para indivíduo.


Para considerar o diagnóstico de esquizofrenia, o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) instrui que sejam observados, pelo menos, dois desses sintomas, sendo um deles, necessariamente, reconhecido como alucinação, delírio ou discurso desorganizado.


Causas da esquizofrenia


Não há consenso sobre as causas da esquizofrenia. Mas pesquisas sugerem que se trata de um problema biológico, caracterizado pelo funcionamento irregular de funções cerebrais.


Acredita-se que essa disfunção seja resultante de fatores como:


  • predisposição genética;

  • complicações na gravidez ou durante o parto;

  • infecções virais;

  • desequilíbrio na produção de neurotransmissores, como dopamina e glutamato.


Eventos estressantes, alterações hormonais e físicas (como as que ocorrem na adolescência) e abuso de drogas (maconha, cocaína, LSD ou anfetaminas) podem desencadear a doença em pessoas vulneráveis (devido aos genes ou química cerebral).


Tratamento da esquizofrenia


Uma vez que as causas da esquizofrenia são imprecisas, o tratamento do distúrbio está centrado no controle dos sintomas.


Para tanto, a abordagem costuma combinar medicação, terapia e recursos que garantam apoio social.


Medicamentos antipsicóticos são eficientes para reduzir ou eliminar sintomas, mas podem trazer efeitos colaterais desagradáveis. Logo, é importante cuidar para que o paciente não interrompa o tratamento.


Os remédios precisam ser administrados de forma correta e contínua, pois a suspensão desses pode ocasionar novas crises.


O tratamento psicológico, por sua vez, ajuda pessoas com esquizofrenia a lidar melhor com os sintomas, desenvolver habilidades de enfrentamento e descobrir os gatilhos dos comportamentos indesejados.


A qualidade de vida e adaptação social também é beneficiada quando o paciente adere a grupos de apoio, nos quais pode partilhar suas experiências e aprender, com outros indivíduos acometidos pela doença, a desenvolver estratégias de autoajuda.


Familiares e pessoas próximas desempenham papel fundamental. Portanto, o ideal é que contem com muita informação sobre a esquizofrenia, com objetivo de lidar corretamente com o transtorno nos momentos de crise, auxiliar na promoção de um estilo de vida saudável e, principalmente, evitar preconceitos sobre a condição.


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