Luto: quando é necessário procurar apoio da psicoterapia?

Atualizado: 5 de Ago de 2019



O processo do luto é inevitável diante da perda de uma pessoa querida. Tristeza profunda e a ansiedade perturbam por algum tempo até que esses sentimentos sejam atenuados naturalmente.


Embora não possamos determinar o tempo exato que uma pessoa permanece com os sintomas do luto, é saudável que a intensidade diminua dia após dia, caso contrário, é o momento de procurar apoio psicológico.


É muito comum confundir o luto com a depressão por possuírem características semelhantes. Devemos lembrar que o luto é uma resposta emocional saudável diante de uma perda, no entanto pode se tornar um problema quando esse processo é conturbado por distorções cognitivas e falta de aceitação.


Qual a diferença entre o luto e a depressão?


O luto é uma resposta emocional a uma perda e o sentimento de vazio e tristeza farão parte do processo. A princípio, é comum a pessoa não se mostrar disposta para as atividades sociais e passar por períodos de introspecção.


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O que pode ocorrer é após o luto ser desencadeada a depressão subclínica, chamada assim por ser de difícil diagnóstico, visto que, a depressão é uma das fases do luto, que tende a passar assim que essa fase seja elaborada.


Nesse caso, se trata de disfunções do esquema cognitivo que já acompanhavam essa pessoa antes do período da perda, ou seja, já existia a pré-disposição para transtornos depressivos.


É muito importante procurar apoio da psicoterapia a fim de evitar que o quadro de depressão subclínica se desenvolva. Diferente do luto, os sentimentos de tristeza e pessimismo em relação ao futuro são constantes na pessoa que possui depressão subclínica, podendo durar meses e até anos.  


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Não devemos confundir a incapacidade de lidar com a perda (processo de luto irracional ou patológico) com a depressão, um transtorno com bases neuropsicológicas e que pode ser desencadeado em diferentes cenários.


Exemplo de luto patológico: não admitir que a morte ocorreu, não querer se desfazer de nenhum objeto do ente falecido. Muitas vezes, existem casos extremos em que o comportamento é agir como se nada tivesse ocorrido, passando a ignorar a morte ou qualquer documento, situação que remeta ao falecimento.


Não aceita mencionar o nome da pessoa e não suporta estar em cenários associados emocionalmente a essa perda.


Comportamentos que fazem parte do luto


  • Sentimento de vazio e tristeza;

  • A dor do luto pode surgir acompanhada de um humor positivo e tentativa de adaptação às situações diárias;

  • O autocuidado e a autoestima permanecem saudáveis dentro do possível;

  • É comum o pensamento de morte com intuito de unir-se ao falecido, mas sem planejamento ou tentativa;

  • Fala-se sobre a pessoa falecida com normalidade, mesmo que isso gere emoção;

  • A dor da perda não gera um sentimento de bloqueio. Existe o anseio de viver, pensar no futuro e mudar o que for preciso;

O luto possui 5 fases e é preciso viver cada uma, são elas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Quando essas fases não são vivenciadas o luto patológico ou a depressão surgem.


Comportamentos que merecem atenção e podem indicar luto patológico


  • Reações emocionais excessivas diante de cenários ou situações que lembram o falecido;

  • Busca por mudanças radicais na vida, seja de novos amigos, trabalho, casa, com intuito de que isso diminua as sensações geradas pelo luto;

  • Mudanças bruscas de humor que oscilam entre euforia e períodos de total isolamento;

  • Existem bloqueios que impedem a pessoa de falar sobre o falecido, pois isso gera sentimentos e reações fora do próprio controle;

Quando recorrer à terapia como apoio e enfrentamento do luto?


Nem sempre enfrentar o luto é uma tarefa simples, embora seja natural e faça parte da vida de qualquer pessoa, não devemos julgar que todos possam reagir da mesma forma.


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O primeiro passo é compreender que existem reações e interpretações totalmente distintas sobre o luto. As crenças pessoais, religião, nível de ligação e dependência com o falecido, além do ambiente em que a pessoa construiu a própria vida, modificam a maneira de enfrentar a situação.


Recorrer a terapia é uma alternativa saudável caso esteja presente alguns sinais de que o luto está gerando bloqueios e impedindo a pessoa de seguir em frente, ter planos para o futuro e permitir que os aspectos positivos também estejam presentes no seu dia a dia, ausentando-se da culpa ou consciência pesada.


Na terapia cognitivo-comportamental existe a compreensão da origem das crenças e por meio dos esquemas cognitivos orientamos o paciente a buscar um entendimento mais amplo sobre a morte e maneiras racionais de enfrentar a perda.


São aplicados esquemas que identificam os pensamentos distorcidos gerados de maneira automática. A terapia atua apresentando ao paciente pensamentos alternativos a estes, por meio de exercícios diários sobre novas interpretações acerca dos sentimentos e bloqueios.


Como exemplo, se o paciente costuma sentir culpa pelo o que ocorreu ao falecido, a questão é levantada por meio de novas perspectivas e treinos cognitivos. Será substituído o pensamento negativo por novas abordagens que atenuam a culpa e os bloqueios.


Lembre-se: o luto é um processo que faz parte, mas jamais deve negligenciar os próprios sentimentos. Não existe uma única fórmula comportamental para todas as pessoas, portanto devemos esquivar-se de qualquer tipo de julgamento ou conceitos.


Se as sensações geram bloqueio e impedem a pessoa de avançar, de ser feliz, é fundamental o apoio psicológico e a libertação desses sentimentos.


Referência:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872016000100005


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