Melancolia: o que é e como lidar?

Atualizado: 5 de Ago de 2019



Melancolia é mais que tristeza e diferente de depressão. Embora essas palavras, muitas vezes, sejam usadas como sinônimos, elas descrevem condições distintas do estado de espírito.


O que explica essa confusão é a semelhança de sintomas. Já as causas e o tempo de “duração” das sensações, têm características próprias. Vale a pena conhecer as definições das palavras, pois elas nos ajudam a nomear nossas dores e identidades.


Neste texto, procuramos expandir o entendimento sobre a condição melancólica — um conceito que ajuda a expressar muitas sensações que não se encontram em rótulos conhecidos.


Confira os apontamentos sobre melancolia que selecionamos. Elas podem ajudar você a se entender melhor — ou desenvolver mais empatia em relação às pessoas com as quais convive.


O que é melancolia?


Devemos a Hipócrates — considerado o “pai da Medicina” — o início das investigações sobre a personalidade melancólica.


No século IV a.C., ele formulou a teoria dos quatro humores, que considerava 4 fluidos corporais como determinantes da saúde do organismo. São eles: sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra.


Qualquer doença ou tipo de temperamento, nessa perspectiva, seria ocasionada pela irregularidade de algum desses elementos.


O comportamento melancólico, assim, refletiria o excesso de bílis negra. Em consequência, uma tristeza profunda e duradoura — sem causa externa — seria percebida no indivíduo.


A ideia de Hipócrates atravessou os séculos e chegou a Freud, que descreveu o transtorno o comparando ao luto — sem objeto de perda definido.


O que há de singular na melancolia é que ela é sempre considerada como algo que vem “de dentro”. Não há um motivo aparente e específico que justifique o abatimento.


Isso diferencia a melancolia da depressão regular, uma vez que os sintomas depressivos podem ser diagnosticados como decorrentes de fatos ou eventos concretos — e tratados de acordo.


Já o paciente melancólico necessita de um entendimento particular. Sua tristeza não tem uma origem contextualizada. É possível que exista desde a infância, como um traço de personalidade.


Para alguns, a tendência melancólica pode ser assimilada com maior facilidade, especialmente quando é canalizada para alguma atividade criativa. No século XIX, inclusive, o Romantismo (movimento artístico) atribuiu grande valor para manifestações dessa ordem.


Mas, dependendo da gravidade da indisposição, as atividades mais banais podem se transformar em desafios complexos.


Tal condição foi poeticamente retratada pelo cineasta dinamarquês Lars Von Trier, no filme Melancolia.


A obra é uma espécie de metáfora completa do que sente a pessoa acometida pelo vazio existencial profundo. Música, paisagem, cores, movimentos… Tudo comunica o mal-estar contínuo do melancólico, que não se dilui com conselhos, ocasiões festivas, bens materiais ou afetos.


Pelo olhar de Lars Von Trier, enxergamos a melancolia como mergulho lento e infinito, num abismo que ecoa a ausência de sentido.


Sintomas da melancolia


Tristeza e frustração são inevitáveis. Elas nos derrotam, temporariamente, extinguindo todas as nossas energias. Você já deve ter passado por alguma situação assim e entrado em contato com seus efeitos em algum momento da vida.


Agora, imagine esse estado como algo ininterrupto.


Todos os dias, sem uma razão que possa ser superada — porque sem contornos definidos — o melancólico experimenta o peso de uma vida sem sabor.


As manifestações desse desgosto — tal como acontece com a depressão e tristeza passageira — são particulares. Ou seja, não devemos criar um estereótipo.


Mas podemos examinar alguns indícios, mais comuns, desde que tenhamos o cuidado de não os confundir com uma regra. Dentre esses, os sinais mais típicos são:


● distúrbios de sono

● falta de apetite

● inatividade física

● introspecção acentuada

● dificuldade para estabelecer relações afetivas

● tédio

● desânimo

● autodepreciação

● perda da libido

● choro frequente

● indiferença aos prazeres comuns

● olhar vago, perdido, distante do presente

● semblante entristecido

● atenção dispersa

● sentimentos de culpa e inadequação

● isolamento

● baixa autoestima

● perturbações psicomotoras (lentidão ou agitação de movimentos)

ansiedade

● pensamentos suicidas.


Tratamentos indicados


Terapia, rotina de atividades físicas, meditação, e alimentação equilibrada são cuidados muito bem-vindos e, sem dúvida, colaboram para que a qualidade de vida atinja um novo patamar.


Mas, como vimos, as causas da melancolia — que pode ser descrita como depressão melancólica ou endógena — são, geralmente, fatores genéticos ou disfunções cerebrais. Dessa forma, os medicamentos antidepressivos são fundamentais, pois atuarão diretamente na química do organismo.


Precisamos entender que o cérebro é exatamente como qualquer outro órgão do corpo. Se temos algum problema cardíaco, por exemplo, entendemos que remédios e estilo de vida adequados nos trazem saúde.


A mesma regra vale para o desempenho cerebral. Ele também está sujeito a falhas. E se a medicina nos permite maior conforto, por que não buscá-la?


Pressão alta não se resolve com conselhos. Se você tem ou conhece alguém com sintomas de melancolia, pense da mesma forma.


Procure ajuda médica. Conte, sem pudores, o que sente. Acredite: quando o monstro ganha nome, fica bem mais fácil vencê-lo.


Compartilhe este post em suas redes sociais! Ele pode ser o início de uma jornada de autoconhecimento para muitas pessoas.


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