Mitos e verdades sobre a bipolaridade



Existem inúmeros mitos sobre a bipolaridade. Todos mais graves que a própria doença, uma vez que levam ao estigma, preconceito e até à negligência para com o tratamento.


Segundo pesquisa do IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), 40% dos portadores de transtorno bipolar e seus familiares têm crenças equivocadas sobre a natureza do distúrbio, o papel da família e efeitos da medicação.


Neste texto, portanto, esclarecemos alguns mitos e verdades sobre a bipolaridade, com o intuito de contribuir para o fim de tantos (e perigosos) equívocos.


MITO: Pessoas bipolares têm dupla personalidade


Pessoas com transtorno bipolar não mudam de personalidade quando enfrentam os sintomas do distúrbio. O que muda é o seu humor, não sua identidade.


O que precisamos entender é que, na bipolaridade, pensamentos e emoções fogem do controle, levando a comportamentos que causam estranhamento quando comparados ao padrão habitual.


E essa ruptura da normalidade é substancial, porque as oscilações de humor também são.


O que pode causar esse mito da “dupla personalidade” é que não esperamos que alguém, de repente, comece a agir de modo impulsivo (chegando a colocar aspectos da sua vida em risco), se torne mais agressivo ou assuma uma súbita mania de grandeza.


Ocorre que esses são alguns possíveis sinais da fase maníaca (eufórica) da bipolaridade.

Naturalmente, sempre procuramos interpretar o comportamento daqueles com os quais convivemos. Buscamos relações entre o que presenciamos e motivos plausíveis, que os justifiquem.


Mas, e quando não os encontramos?


Corremos o risco de encaixar aquilo que não compreendemos em preconceitos, em entendimentos rasos que ignoram o complexo funcionamento da mente.


A bipolaridade não revela dupla personalidade. E sim uma mesma identidade, que experimenta com intensidade seus polos opostos — depressão/apatia e mania/euforia.


MITO: A pessoa bipolar é mentirosa


Precisamos tomar muito cuidado com rótulos. E atrelar bipolaridade à mentira seria um deles.


Sim, a mentira pode ser um reflexo da bipolaridade. Mas, quando entendemos o porquê, a enxergamos de outro modo.


Na verdade, a mentira compulsiva pode ocorrer em virtude dos sintomas das fases maníacas ou depressivas (próprias do distúrbio), tais como:

  • delírios de grandeza;

  • alucinações;

  • pensamentos acelerados;

  • impulsividade e julgamento prejudicado;

  • lapsos de memória e outros problemas cognitivos.


Também é possível que o bipolar minta impelido pela busca de aceitação. Como já dissemos, o transtorno mental ainda é muito estigmatizado. Logo, o portador pode preferir contar uma versão de sua história que encubra os reais efeitos da condição.


VERDADE: A bipolaridade é perigosa


Sem tratamento adequado, sim, a bipolaridade é uma doença perigosa.


Imagine sensações como tristeza ou irritabilidade levadas ao extremo. O que podem causar?


Riscos à autopreservação e prejuízos ao convívio seriam consequências bastante prováveis.


Por isso é tão importante que exista conscientização sobre a necessidade de tratamento (ininterrupto) do transtorno bipolar.


Com medicação e acompanhamento psicoterapêutico os sintomas de mania ou depressão podem ser gerenciados com maior destreza e resiliência — tanto por quem sofre com o distúrbio quanto por familiares e amigos, que desempenham parte fundamental do processo, a partir do momento que contam com psicoeducação adequada.


VERDADE: Pessoas com transtorno bipolar podem trabalhar


Pessoas com bipolaridade podem trabalhar, estudar e se relacionar normalmente, desde que os desafios da condição não sejam ignorados. Afinal, como estamos enfatizando neste texto, os sintomas do distúrbio não podem ser desprezados.


Cada um de nós vive as próprias dificuldades. Todos temos obstáculos em nosso dia a dia. E, para encará-los, precisamos — primeiro — praticar a aceitação para, após, buscarmos estratégias de enfrentamento e superação.


Assim também é a bipolaridade.


Não é útil pensar que suas adversidades são inexistentes. Elas são reais. Mas isso não significa que sejam incontornáveis.


Psicofármacos ajudam a estabilizar o humor, prevenindo os altos e baixos acentuados pela doença. Esse cuidado, somado à psicoterapia, habilita o portador de bipolaridade a lidar com suas características de modo mais saudável, assertivo e funcional.


Assim, o que determina, em grande medida, a plenitude da rotina não é o transtorno de humor. Mas sim as ferramentas das quais dispõe a pessoa bipolar para mantê-lo sob controle.


MITO: Pessoas bipolares são mais inteligentes


Seriam os bipolares gênios incompreendidos? Na verdade, nada impede que tenham talentos ou inteligências singulares. Assim como qualquer outra pessoa.


Contudo, o distúrbio não é o responsável pelo desempenho intelectual acima da média.

Seria um demérito atribuir a um problema aquilo que foi adquirido com esforços legítimos para o desenvolvimento de habilidades.


Parcialmente, essa falsa associação entre bipolaridade e genialidade pode ser explicada pelo momento da vida no qual, frequentemente, iniciam os sintomas de mania e depressão: o começo da fase adulta.


E o que está acontecendo conosco, nessa época? Geralmente, estamos iniciando jornadas profissionais ou aprofundando conhecimentos acadêmicos. Logo, é oportuno que diferentes inteligências despontem, pois o contexto as fomentam.


Porém, se isso não for próprio do indivíduo, não será a bipolaridade que trará magnitude aos feitos. Ela, apenas, pode coincidir com um intelecto avantajado — nunca proporcioná-lo.


Outra hipótese, investigada em estudos, é que a bipolaridade talvez seja consequência (ou seja, resultado e não causa) de um QI acima da média.


“Uma possibilidade é que distúrbios graves de humor — como o transtorno bipolar — são o preço que os seres humanos tiveram que pagar por características mais adaptativas, como inteligência, criatividade e proficiência verbal.” observa Daniel Smith, da Universidade de Glasgow, que liderou uma dessas pesquisas.


Para saber mais


Provavelmente, você tem outras dúvidas a respeito de mitos e verdades sobre a bipolaridade — ou outras condições mentais.


E nós gostaríamos de conhecê-las!


Basta escrever suas perguntas no campo de comentários, no final do texto, ou em nossas redes sociais (Facebook e Instagram).


Desse modo, podemos trazer respostas em nossos próximos conteúdos.


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