O lado bom da melancolia



Ora, o que há de bom na melancolia?


O que há de positivo em sentir tristeza pela vida?


Podemos começar a traçar respostas afirmando o óbvio: a vida guarda tristezas. E senti-las é o que se espera da capacidade humana — saudável e consciente.


A sensação de melancolia acontece, por exemplo, quando experimentamos um momento nostálgico.


A alegria vivida é um suspiro saudosista, que dói por não ser agora (e nunca mais) o presente.


Mas, veja, na melancolia há mesmo uma insinuação da felicidade.


Porque a lembrança não sugere rancor ou repulsa.


É uma perda, mas que machuca pela beleza do que foi.


Melancolia, pensamento, contemplação, reflexão… habitam o mesmo universo.


Por isso é normal nos pegarmos melancólicos enquanto observamos a chuva ou as ondas rebentando no mar.


Por isso é normal assumirmos um ar melancólico enquanto “digerimos” uma leitura que nos provoca ao autoconhecimento.


Melancolia é positiva porque significa conexão profunda com sentidos — de lugares, situações, pessoas, sons, palavras, imagens. E da própria existência.


Melancolia é uma emoção estética


“A melancolia costuma ter um papel em nossos encontros com obras de arte e também pode ser significativa em nossas respostas estéticas ao ambiente natural”, pontuam Emily Brady e Arto Haapala no texto Melancholy as an Aesthetic Emotion.


Os autores observam que o olhar melancólico, tanto sobre as artes quanto sobre aspectos cotidianos, revela “uma emoção madura e reflexiva, cuja experiência fornece uma maneira de lidar com eventos dolorosos da vida humana.”


Note que a melancolia, vista dessa forma, em nada se assemelha a um sinônimo de depressão clínica.


Sim, ela pode ser sombria, uma vez que nos faz acessar o mundo interno — onde existem dissabores, lutos e íntima compreensão de que o mundo externo não é o reflexo perfeito de nossos desejos.


Porém, como pode alguém ter senso de realidade sem se permitir a constatação de que a vida inclui momentos de desencanto, solidão e turbulenta quietude?


Negar o sofrimento não o elimina.


Mas encará-lo, como quem decifra um enigma, pode lhe oferecer o justo reconhecimento como aquilo que é — uma consequência natural da singular jornada de cada ser humano.


Tristeza não é doença


Ao buscar por uma definição de melancolia, você mergulhará em um universo espinhoso.


Irá se deparar com palavras que evocam lugares difíceis. Lugares aos quais, geralmente, preferimos não visitar.


Tal como a tristeza.


Que bom quando estamos tão comprometidos com a felicidade que não nos permitimos à rendição à tristeza! Isso é resiliência, é evolução.


Porque, sim, é necessário ver a tristeza sempre como um posto de passagem, nunca um território de estadia.


Mas, assim como a demora não é atitude bem-vinda, a pressa em eliminá-la também não é.


Saiba: é saudável estar triste às vezes.


É bom pensar na saudade, nas escolhas que não foram feitas, nas companhias perdidas, na expectativa arranhada, na identidade que não se encaixa.


Pois sentir é o que nos permite estar no mundo.


E enriquecemos nossa experiência na medida em que conseguimos identificar contrastes — entre o doce e o amargo; o grave e o agudo; o áspero e o macio.


Tristeza e alegria também movimentam essa gangorra de opostos.


E só podem ser intensamente experimentados quando ambos são conhecidos.


Se há tristeza, é porque houve entendimento da alegria.


Se há alegria, é porque houve o aprendizado da tristeza.


Tristeza não é doença. Melancolia não é doença.


São feridas que resultam do próprio exercício da existência.


Não devem ser temidas como um mal aniquilador.


Apenas precisam ser cuidadas.


Como cuidar da melancolia


Encontrar o lado bom da melancolia é uma questão de equilíbrio.


E tudo começa com a forma como você a enxerga. Se lhe parece extremamente convidativa, ela pode ser sua Medusa.


Nesses casos, quando a melancolia consegue petrificar todos os demais impulsos, ela é justamente aplicada para referir à depressão.


Melancolia em excesso (como tudo na vida) é veneno.


Melhor é ver a melancolia como um caixeiro viajante.


Aquele que aparece, vez ou outra, com coisas novas para nos propor. Coisas que renovarão nossa identidade, se estivermos aptos a pagar o preço que valem.


Cuide da melancolia como se estivesse fazendo negócios com o caixeiro. Busque o que lhe interessa e o que pode adquirir. Depois, deixe-o ir embora. Cada um com sua parte da negociação.


Use o que você conquistou.


Use sua barganha com a melancolia para criar — uma nova resposta, um diferente diálogo interno, um genuíno bem-estar com a solidão.


Dê um tempo aos seus silêncios.


Acolha sua introspecção.


Alimente suas dúvidas.


Sem sombras, a luz não revela nada.


Outras conversas sobre melancolia

Vídeo sobre a melancolia


O vídeo On Feeling Melancholy (em inglês, mas como legendas em português disponíveis) — produzido por Hannah Jacobs para a The School of Life — desenha a melancolia de um modo necessário.


Didático e, ao mesmo tempo, desafiador, o curta (com duração de 3 minutos) reúne verdades indispensáveis, como o seguinte trecho:


“Melancolia é uma palavra pouco usada.


Não significa sombrio ou miserável.


Significa aceitar, sem raiva, que o mundo é cheio de insensatez e ganância.


Que é raro encontrar paz interior. Que é difícil viver confortavelmente com aqueles que amamos. Que é muito incomum ter uma carreira tanto financeiramente compensadora quanto moralmente gratificante. Que muitas pessoas decentes têm seus tempos difíceis.

Diversas vezes, tristeza simplesmente faz muito sentido.”


Artigo sobre a melancolia


Sugerimos, também, que visite o texto Melancolia: o que é e como lidar? para conhecer uma outra versão da melancolia: aquela que fica e adoece.


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