O que é aceitação? Um sinal de fraqueza ou uma atitude libertadora?

Atualizado: 12 de Dez de 2020


Você sabe diferenciar a aceitação e o conformismo?

O que te vem à mente quando você pensa na palavra aceitação?


Para facilitar, lembre de um momento da vida em que você fez a escolha de aceitar uma verdade difícil.


Algo que você não queria que tivesse acontecido.


Ou que não fosse do jeito que é.


E, por isso mesmo, para você era difícil admitir como fato.


Você deve ter passado um tempo lutando com isso, tentando mudar.


Consertar.


Ou até se negando a acreditar.


Então, num determinado momento, você enxergou que não havia o que fazer.


Era preciso lidar com a realidade como ela é — e não como gostaria que fosse.


Quando você passou por esse processo, você experimentou a aceitação.


Agora, pense: quais sentimentos o resultado da aceitação trouxe (e traz) para você?


Aceitação ou conformismo?


Se você é invadido por sentimentos e pensamentos negativos quando lembra da situação, sinto muito. Você encontrou apenas uma falsa aceitação.


Ou melhor, você não aceitou. Você se conformou.


A diferença é que se conformar prende a pessoa na dor.


Não há uma superação.


Apenas uma montanha de amargura, raiva ou desesperança obstruindo o caminho.


Isso significa que você deve se tornar uma espécie de monge e ver o lado bom de tudo?


Que deve sorrir depois de levar uma bela rasteira?


Calma… sem pensamento de tudo ou nada!


Claro, mal não faria se você pudesse ter uma atitude positiva diante de cada expectativa frustrada que a vida reserva.


Esse é um bom objetivo.


Mas aceitação não presume que você se sinta feliz com a adversidade.


Aceitação é entender que o problema existe — e não pode ser solucionado com uma fantasia idealizada.


Quando praticar a aceitação?


As perguntas que você precisa se fazer são:


  • Se eu continuar rejeitando a situação, ela vai mudar?

  • Há alguma coisa concreta, que dependa de mim, que posso fazer para mudar as coisas?

  • Posso promover essa mudança agora?


Se você responder “não” a todas essas questões, a aceitação será sua escolha mais inteligente.


Por quê?


Porque ao contrário do que, talvez, possa parecer, aceitar as coisas como elas são não é desistir. Não é se entregar.


Aceitar é dar o primeiro passo para se reinventar.


Se reorganizar.


E deixar para trás uma ilusão, passando a se concentrar no presente — tal como ele se apresenta.


Aceitação pessoal: como ficar em paz consigo mesmo?

Encarar a aceitação como um processo pode tornar as coisas mais fáceis

Olhamos muito para fora (para o outro, para as circunstâncias da vida) quando pensamos em aceitação.


Sim, o reconhecimento de que não podemos controlar o mundo externo é tremendamente importante.


Traz alívio. Elimina um fardo de responsabilidade que não nos cabe carregar.


Mas a aceitação do outro é apenas uma face da história.


E ela tende a funcionar muito melhor quando, antes de tudo, aprendemos como praticar a aceitação do eu.


Não se iluda. Esse processo não tem nada de fácil.


Em primeiro lugar porque — vamos ser sinceros — até mesmo aceitar, plenamente, nossas partes boas (habilidades, virtudes, conquistas…) pode ser um desafio.


Ou acaso você nunca se viu duvidando de suas capacidades? Desmerecendo um elogio honesto que recebeu?


Bem, se aceitar o que é notável em você já é complicado, lidar com as falhas, erros e pontos fracos, definitivamente, não é um caminho suave.


Portanto, em vez de buscar a fórmula da autoaceitação instantânea — e indolor — prefira pensá-la como um projeto.


Vou te apresentar algumas dicas, que vão te ajudar nesse sentido.


Mas lembre que não se trata de um “manual de instruções”!


São apenas percepções para você ter em mente ao viver seu processo.


Combinado?


Então, vamos em frente!


1. Seja realista


Muitos dos julgamentos que você faz sobre si próprio e muito da autocrítica severa (que você cultiva há anos) não vão desaparecer da noite para o dia.


Também não é útil tentar dar conta de tudo que te desagrada ao mesmo tempo.


Expectativas muito ambiciosas, imediatistas, vão contra o significado de aceitação.


Entenda que cada dia é um novo desafio.


E você vai progredindo aos poucos, conforme constrói um ponto de vista diferente sobre aquilo que te machuca.


Leia também: Resiliência: táticas para ser mais resiliente a partir de agora

2. Aceite a dor


É um erro imaginar que a autoaceitação acontece sem sofrimento, contrariedade e doses de recriminação.


Mas, se não passamos por essa etapa, é porque estamos evitando o assunto.


O que incomoda traz dor. E ela tende a se repetir, enquanto fingimos que a ferida emocional não existe.


Encare a dor. Encare a ferida.


E decida cuidar dela, ao invés de deixá-la escondida.


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Encarar a dor é parte importante do processo de autoaceitação

3. Entenda a intenção


A aceitação pessoal é mais que um exercício de autoestima.


Embora estejam interligados — já que a autoaceitação conduz à melhora da autoestima — o processo de aceitação de si nem sempre equivale a amar cada parte sua.


Sua principal meta deve ser descobrir onde há culpa, vergonha, autoaversão — e perceber como esses sentimentos interferem nas oportunidades que você se permite.


Em sua qualidade de vida. Saúde. E perspectivas de futuro.


É a partir dessa consciência que você irá despertar para a real necessidade de reelaborar seus pensamentos.


Leia também: Como a Terapia Cognitivo Comportamental trabalha a autoestima?

4. Identifique seus pensamentos disfuncionais


Pensamentos disfuncionais, como o nome sugere, são aquelas ideias inúteis (e prejudiciais) que você elabora como resposta às situações.


Esse tipo de pensamento costuma ser recorrente.


Ou seja, ele se torna um padrão de raciocínio.


Assim, ele se repete, sempre que você se vê diante de uma dificuldade ou volta a pensar em algo que te incomoda.


Em resumo, um pensamento disfuncional faz você “empacar” num modo de interpretar as coisas e te prende num ciclo negativo.


Perceber quais são esses pensamentos é o primeiro passo para confrontá-los.


5. Assuma a responsabilidade


Existem coisas que você não pode mudar.


O seu passado, por exemplo.


E existem coisas que você não pode controlar — os acontecimentos futuros e o modo de pensar dos outros, por exemplo.


Porém, o que você pensa, hoje, é algo que você pode mudar e controlar.


É sua responsabilidade.


Este é o verdadeiro poder da aceitação: trata-se de uma revolução interna.


É sua escolha.


Há uma frase, atribuída ao cantor Jimmy Dean, que resume muito bem essa ideia:


Não posso mudar a direção do vento, mas posso ajustar minhas velas para chegar ao meu destino.

Pense nisso!




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