O que são distorções cognitivas e como a terapia pode auxiliar


Podemos chamar de distorção cognitiva comportamentos irracionais, ou seja, que não condizem com a realidade, mas que insistem em martelar em nossas mentes e condutas. O tempo todo nos deparamos com uma distorção cognitiva, é bastante comum e pode ser trabalhada na terapia cognitivo-comportamental.


O psiquiatra americano Aaron Beck foi um estudioso sobre as distorções cognitivas, relacionando tais comportamentos como percursores de alguns transtornos psicológicos.


Eliminar uma ou mais distorções, pensamentos improdutivos e sabotadores, é uma forma de combater doenças tão frequentes em nossa sociedade, como a ansiedade e a depressão.


Como funciona a reestruturação cognitiva?


A “reestruturação cognitiva” é uma ferramenta psicoterapêutica utilizada para reajustar o pensamento racional a cerca das situações. Muitas das nossas ações são inconscientes e podem ser trabalhadas na terapia a ponto de compreendermos tais condutas como irracionais e sugerir soluções dentro do campo da razão.


É essencial  para a saúde mental aprender a lidar com as distorções cognitivas. Pode parecer simples solucionar para quem não vive o conflito. É preciso reconhecer o quão complexo é mudar um padrão comportamental e uma crença negativa.


A pessoa não tem tal comportamento negativo porque simplesmente quer ou considera plausível, mas são impulsos emocionais que estão fora do seu controle racional.


Leia também: Tudo ou nada? Compreenda sobre os riscos ao adotar comportamentos extremos.


Graças a plasticidade presente em nosso cérebro é possível moldá-lo por meio de comportamentos positivos, clarear o que era inacessível e focado no campo das emoções e promover o pensamento e a razão, com auxílio da psicoterapia e da reestruturação cognitiva.


Confira algumas distorções cognitivas


Pensamento absolutista


Geralmente  quando existe essa distorção estamos literalmente sob o viés “tudo ou nada”.  Pensamos em extremos no modo de ver as situações e em seus julgamentos incluindo frases como: “sempre”, “nunca”, “impossível” e dificilmente enxergamos soluções para os conflitos em que vivemos.


Para utilizarmos como exemplo se  alguém nos diz que a nossa apresentação em público sobre determinado trabalho poderia ficar melhor, tiramos conclusões do tipo: “então ficou ruim”, “me sai péssima!”, ignoramos o fato de que a  intenção  era fazer uma crítica construtiva para que possamos se sair ainda melhor futuramente.


Diante de uma situação que requer análise e flexibilidade a pessoa que possui o  pensamento absolutista terá dificuldade de enxergar com amplitude os inúmeros contextos e interpretações que incluem uma única situação.


Generalização


Diante dessa distorção, uma experiência negativa é o suficiente para  induzir a crença de que outras situações, com pessoas e cenários diferentes, irão se repetir.


É um  julgamento irracional da realidade, o que bloqueia a pessoa a viver e arriscar novas experiências, inclusive não dá oportunidade para que as situações ocorram de forma diferente.


Como exemplo, se existe a traição de um parceiro, a pessoa tende a generalizar a situação e passa a acreditar que sempre será traída, afinal, o ser humano costuma trair e não deve confiar em ninguém.


Ter esse tipo de pensamento generalista pode nos fazer acrescentar esse desvio cognitivo para muitas situações, seja no campo dos relacionamentos ou nas atividades profissionais.  Sem base em análises racionais e focado em experiências negativas como único exemplo.


Raciocínio emocional


Essa distorção costuma ser comum, e julgo o que senti como uma verdade. O indivíduo passa a seguir impulsos emocionais e elimina qualquer possibilidade de avaliar esse comportamento por uma perspectiva racional.


Não se passa pela cabeça: “e se eu estiver equivocado” ou possíveis questionamentos a cerca do assunto. Quando avalio as situações por meio do raciocínio emocional tiro conclusões baseadas no que senti e acreditei, crenças essas que podem ser negativas ou positivas, porém o problema é que nem sempre condizem com a realidade.


Como exemplo: considero que tenho uma relação muito bacana e de cumplicidade com o meu parceiro, mas não me sinto amada, mesmo ele sendo carinhoso e leal.


Possuir essa distorção cognitiva nos torna incapazes de avaliar fatos e estabelecer o que é real ou crença. É fundamental eliminar esse bloqueio e exercitar o raciocínio a cerca dos assuntos, levando em consideração a análise dos fatos e das situações reais que aflige a pessoa e que gera inseguranças e bloqueios.


Visão em túnel


Pessoas com indícios comportamentais que chamamos de “visão túnel” enxergam apenas os aspectos negativos de uma situação, não conseguindo expandir o seu pensamento e definir os dois lados de um mesmo tema, sendo pontos negativos e positivos para assim encontrar o equilíbrio e racionalidade sobre uma questão.


O que muitas vezes ocorre é que acabam sendo julgadas ou associadas a pessoas problemáticas, com exigências inalcançáveis e que veem defeito em tudo.


Leia: Quando a ansiedade precisa ser tratada?


Quando temos a “visão túnel” não possuímos consciência sobre os malefícios desse comportamento para o círculo social e com o reforço dessa conduta as pessoas que antes eram próximas acabam afastando-se, o que pode gerar solidão e isolamento.


Essas são algumas das distorções cognitivas abordadas por Aaron Beck. É muito importante ao perceber que possui alguma ou várias delas procurar eliminá-las como foco na prevenção de problemas como a depressão.


A terapia cognitivo-comportalmental é uma ferramenta não só para tratamento de transtornos emocionais, como para o desenvolvimento pessoal.


É possível por meio de novos comportamentos aprimorar a nossa personalidade e usá-la a nosso favor, jamais contra. A psicoterapia é indicada para desenvolver potenciais e trabalhar os desvios cognitivos, além de atuar na prevenção de transtornos.




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