Quando a medicação é necessária para reequilibrar as emoções?

Nós estamos vivendo em uma realidade que é característica da sociedade moderna, o que foi mencionado pelo filósofo francês Michel Foucault como somatocracia, o corpo como centro e alvo da vigilância médica.


Há um filme brasileiro interessante de 2018, ‘Todas as Razões Para Esquecer’ (confira o trailer), estrelado pelo ator Johnny Massaro e pela atriz Bianca Comparato, que conta a história de Antônio, que depois de terminar um relacionamento com Sofia, vê sua vida desmoronar.


Mas o interessante é que por não saber lidar com isso, Antônio procura ajuda psicológica, mas quer uma ‘solução mais rápida’, um diagnóstico que lhe indique uma medicação para que as coisas possam se tornar mais ‘fáceis’ de suportar. Casos como o do personagem são cada vez mais comuns.


A busca por uma medicação para os conflitos internos se refere a um padrão de comportamento que almeja soluções rápidas, no lugar de um enfrentamento.


Devemos lembrar que caminhar é a parte mais importante na solução real do problema, além de uma abordagem racional e consciente acerca do que nos aflige. 


Tentando compreender a razão das emoções ao invés de medicar ‘sinais’


Há um livro interessante do psiquiatra americano Allen Frances intitulado ‘Voltando ao Normal’, em que ele trata das questões em torno da medicalização dos problemas cotidianos, e quanto mais as pessoas buscam medicar o que é ‘normal’, mais vão perdendo a capacidade de superar esses problemas (sem a necessidade de medicação).


Frances também faz a ressalva de que existem os problemas cuja solução se encontra na administração de medicamentos. Acredito que o essencial diante dos conflitos que se vive na sociedade é que a pessoa tome a consciência sobre a importância do tratamento da raiz do problema e não parta para o que também é chamado de medicalização social.


Esse enfrentamento profundo é importante e isso é possível por meio de uma mudança comportamental, as pessoas precisam compreender racionalmente sobre as próprias emoções. É nesse ponto que a terapia cognitivo-comportamental atua. 


Muitos ainda desconhecem os benefícios proporcionados pela escuta terapêutica. No processo de psicoterapia a pessoa fala sobre si, sobre os próprios sentimentos e emoções e isso aos poucos vai mudando o seu padrão comportamental.


Estudos apontam que as sessões guiadas pelo especialista podem modificar conexões neurais e isso reflete em mudanças efetivas no comportamento e saúde emocional, proporcionando ao paciente uma visão ampla, consciente e compreensiva sobre suas aflições. 


No caso do personagem do filme, por exemplo, ele estava com dificuldades para lidar com um término de um relacionamento, ele se sentia ansioso, irritado, seria um caso de medicamento para tratar a ansiedade e insônia ou seria um caso de psicoterapia com foco no que o levou a esse problema? 


Muitas vezes, a resistência à busca por uma terapia, para compreender a razão das emoções, para enfrentar uma dificuldade ‘transponível’ é que é um caminho que leva um tempo, relativo de pessoa para pessoa, mas esse é um processo de autoconhecimento, cujos benefícios se levam para toda a vida.


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Alguém que emocionalmente se apresenta fortalecido, supera situações adversas e até traumas com melhor desenvoltura. O autoconhecimento resultado da psicoterapia também atua na prevenção de doenças psicossomáticas.


Dentre os principais riscos da medicalização de problemas cotidianos está o de impedir o ser humano da busca por tomar consciência sobre si, sobre o seu comportamento e o seu funcionamento emocional.


Devo ser contra medicamentos para saúde emocional?


Jamais! As medicações para o tratamento de doenças de ordem emocional são muito importantes e indicadas, isso vai variar de acordo com o quadro do paciente.


Cada vez mais estudos evidenciam as alterações nas atividades neuronais e processos químicos no cérebro entre pessoas que sofrem de transtornos emocionais. A medicação certa, indicada pelo psiquiatra pode contribuir para qualidade de vida e bem-estar.


Os medicamentos são essenciais em alguns casos, pois se trata de processos químicos no cérebro e ajudam a reequilibrar as possíveis desordens.


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Existem também quadros em que o indivíduo está muito comprometido emocionalmente, a ponto de não se adequar à terapia cognitivo-comportamental,  tornando-se inviável a escuta terapêutica naquele momento. 


Outro exemplo são situações em que tanto a TCC como a medicação são indicadas e juntas promovem excelentes resultados na qualidade de vida do paciente. O melhor tratamento, seja ele medicamentoso ou terapêutico, serão decididos em conjunto pelo médico psiquiatra e psicoterapeuta. 


Há muitos avanços em medicações para tratar a saúde emocional e que assegura a qualidade de vida e bem-estar. Existem pessoas que precisam dessas substâncias por uma questão bioquímica no cérebro. 


É como se o cérebro delas produzissem em excesso ou em declínio determinada substância, o que afeta os mecanismos neuronais e pode gerar sintomas.


A partir desse cenário é que a medicação se torna essencial, pois ajuda a reequilibrar os processos químicos no cérebro e devolve ao paciente a autonomia sobre as suas emoções. 


A decisão de medicar ou não, deve ser avaliada por uma equipe de especialistas e de acordo com o quadro de cada indivíduo. A medicalização, é outro problema, é quando substituo o enfrentamento comportamental por uma solução rápida, muitas vezes até sem consentimento médico. 



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