Quando se despedir da melancolia?



Depois de um texto que apontou o lado bom da melancolia, é justo propor uma contrapartida.


Afinal, a ideia não é “romantizar” nenhum sentimento — isso seria desprezar o impacto de seus excessos.


E esse é exatamente o ponto em que a melancolia deixa de ser uma boa companhia: quando ela não vai embora.


Essa regra se aplica à boa parte de emoções, pensamentos e comportamentos que configuram os chamados transtornos ou distúrbios psicológicos.


É na repetição insistente que um prazer se torna um vício ou uma compulsão. É na monotonia que os humores adoecem.


Assim, o risco da melancolia é o de se estabelecer. E, com isso, determinar o curso das reações e escolhas cotidianas.


Então a pergunta é: quais são os sinais de que a melancolia está há tempo demais?

Vamos encontrar algumas respostas:


Quando só a melancolia fala


E você só escuta. Aceita a tristeza como uma condição inquestionável, intransponível.


Ora, um dos raciocínios que deveria emergir da experiência melancólica é que tudo é transitório.


Nada fica, nada é realmente estável.


E essa noção precisa incluir aquilo que é desagradável.


Vida é travessia, como ensina Guimarães Rosa.


Deixar que isso ecoe, sem lhe atribuir um aprendizado, é não compreender a melancolia.

E, talvez por isso mesmo, ela insista em seu discurso — pois deseja ser entendida.


Para honrar a melancolia, não a deixe falando sozinha.


Elabore suas respostas.


Seja um interessante e criativo interlocutor.


Demonstre que você enxergou os sentidos da experiência.


E está apto a fazer dela acesso a um “eu” mais consciente de si.


Quando a melancolia significa um pacto com a rejeição


Sim, a melancolia intermitente é par da depressão. Mas não só.


Porque depressão é uma condição clínica específica, com características bastante debilitantes.


Mas nem todos os excessos melancólicos resultam nessa doença.


É possível que eles sejam menos evidentes.


E o pacto secreto com a rejeição — de si, do mundo, da vida — está nesse patamar.


Nossas recusas podem ser muito silenciosas ou quase imperceptíveis.


Negamos convites, convívios e oportunidades. Para os outros, isso pode passar despercebido.


Mas nós, em nosso íntimo, sabemos quando o “não” se tornou um padrão, sem que nada verdadeiramente o justifique — exceto a profunda descrença na felicidade espontânea.


A rejeição, lugar de tanta dor, deixa de ser algo “de fora para dentro” para se instaurar como convicção prévia. Sempre antecipada, sempre sofrida com o poder exclusivo da imaginação.


Triste escolher esse lugar para viver a melancolia.


Ela apenas queria o ensinar sobre sua individualidade. Sobre suas exceções e particularidades.


Agora, se você resolveu interpretar o recado melancólico transformando-o em um poço de defeitos e (pré)conceitos, isso foi (e é) escolha sua.


Conhecer a si mesmo e à própria história nunca foi uma sugestão fácil.


Conhecer o que temos de único e solitário não é um passeio despretensioso numa paisagem familiar.


Mas a forma como vamos povoar de sentidos cada percepção é uma escolha — sempre flexível.


Onde você rejeita, há uma outra versão.


Quando a melancolia aprisiona na inação


O risco de nos perdermos em inércia é significativo quando abraçamos a melancolia.


Afinal, elas nos faz refletir, contemplar — parar o ato.


Essas pausas são essenciais pois, sem elas, seguiríamos um caminhar robótico.


A pausa é a dúvida. A encruzilhada.


Enquanto não escolhemos, moramos na pausa.


E ela tem seus apelos. Porque enquanto não agimos, nos sentimos protegidos do erro.

Ilusão da não-escolha achar que ela própria já não implica numa escolha!


Agora, imagine essa inação se prolongando por dias, talvez meses ou até anos.


Isso definha a vida que — literalmente — precisa de movimento para acontecer.


Sem acordo com o movimento, não levantamos da cama.


Repelimos tentativas, conversas, experiências.


O tédio e o desinteresse dominam, numa perspectiva pessimista que se isenta de responsabilidades.


O protagonista de sua vida é você — não tem jeito.


Portanto, enquanto você não age, a história não avança.


Cuidado com o autoengano de afirmar que espera um despertar quando, na verdade, já se resignou à apatia.


Quando a melancolia esvazia o prazer


Se “a melancolia é a felicidade de estar triste”, como definiu Victor Hugo, o que lhe resta sem essa parcela de satisfação?


Levada ao extremo, a melancolia transforma o prazer em desgosto.


É como um vinho raro, que deve ser apreciado no que cada gole revela — e não sorvido com sofreguidão.


Porque não se trata de se fartar, até anular o paladar. Ou até que as sensações adormeçam.


A melancolia não é um monstro a ser anestesiado. E sim um estranho com o qual debater.


Mas, se o encontro se torna inócuo, aquilo que há de bom é esquecido.


Fica apenas o costume, sem significado, sem acréscimo. Talvez convertido em culpa e autodepreciação.


O desejo desdenha de seu objeto. Não o admira ou respeita.


Apenas o invade, com fúria de um vício sem recompensas.


Portanto, se você quer saber como segurar as lágrimas, aprenda a não banalizá-las.


Chorar faz bem, alivia a dor. Mas água demais é inundação.


Em resumo


Se você vê suas atitudes e emoções presas em um círculo vicioso de tristeza e prostração, procure ajuda!


E por que partilhar angústias tão íntimas com alguém?


Porque o olhar do outro saberá ver aquilo que sua melancolia o impede de enxergar.


Onde você vê, hoje, um ponto final, é possível descobrir reticências. E um novo capítulo.


Converse com um psicólogo online


Se você vem adiando a busca por terapia — porque considera o deslocamento para consultórios algo desagradável; porque não gostaria que conhecidos ficassem sabendo de seu tratamento; ou, ainda, porque não encontrou uma abordagem terapêutica que o convença — experimente fazer terapia cognitivo comportamental (TCC) online.


O método (TCC) é objetivo, estruturado, voltado à resolução de problemas do presente.


Para tanto, uma de suas bases é desenvolver a psicoeducação do paciente — de modo que ele possa, com o conhecimento da “engrenagem” entre pensamento/emoção/comportamento, adotar estratégias práticas de enfrentamento.


Na modalidade online, as sessões de TCC podem ser realizadas remotamente, sem nenhum prejuízo à efetividade do processo.


Você pode tirar suas dúvidas sobre psicoterapia online neste post.


Ou, se preferir, pode entrar em contato conosco pelo site e apresentar suas perguntas.


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