Rejeição: saiba como transformá-la em terapia



O medo da rejeição transformou a vida do canadense Jason Comely num inferno.

Tudo começou quando sua esposa o deixou.


É natural que o fim de um relacionamento nos deixe abatidos. Cada pessoa reage de forma particular e supera a situação no seu tempo.


Comely, no entanto, percebeu que 9 meses após o término, as coisas estavam cada vez piores.


Ele desenvolveu uma fobia social que o paralisava cada vez mais. Tinha dificuldades para sair de casa, interagir com colegas de trabalho, enfrentar situações simples do dia a dia.


No lugar da voz e da atitude, estavam a dificuldade de respirar e ataques de pânico.


O medo de ser rejeitado havia tomado as rédeas de sua vida.


Era preciso decidir: se resignar com aquela condição, que o aprisionava, ou recuperar o protagonismo da própria história. Comely escolheu a segunda opção.


Mas como quebrar o padrão de comportamento, que se repetia há tantos meses? Como acabar com o poder da sombra da rejeição?


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Rejeição ou medo de ser rejeitado?


Não eram as rejeições, em si, que estagnavam a vida de Jason Comely. Afinal, ele havia se dedicado a evitar qualquer experiência desse tipo durante meses.


O que realmente o petrificava era o medo de repetir uma dor, que havia sentido ao ser abandonado pela esposa.


O medo de se machucar era o verdadeiro obstáculo.


Foi essa consciência que o levou a uma ideia. Inventou um desafio simples, mas audacioso.


Decidiu “abraçar o inimigo”, todos os dias, propositalmente. Ao invés de se esquivar de possibilidades de rejeições, Comely passou a procurar por elas.


Talvez o canadense não soubesse, mas a estratégia pela qual optou é bastante conhecida por psicólogos. É chamada de terapia de exposição e propõe, justamente, o enfrentamento de situações que geram desconfortos, a partir da mediação do terapeuta.


Mas de que forma se expor às causas de um mal-estar pode ajudar alguém?


A resposta, na verdade, é simples.


Pense em alguma situação que deixou você apreensivo. Pode ser uma coisa comum, como uma entrevista de emprego ou falar em público.


Antes de realizar a ação, quantos pensamentos negativos rondaram sua mente?


O fato é que, enquanto algo ocorre apenas em nossa imaginação, os piores cenários são possíveis.


Só após a experiência, podemos concluir que exageramos.


Precisamos nos arriscar, vivenciar o momento de desafio, para constatar que somos capazes de superar. E a cada novo desafio, nos sentimos mais preparados, pois aprendemos com a prática.


É dessa forma que a terapia de exposição — ou a tática de Comely — funcionam. Elas “desobedecem” o medo, para que, aos poucos, ele perca sua potência.


Terapia da rejeição: um jogo para derrotar o medo


Quando fazemos perguntas ou propostas para alguém, esperamos retornos positivos, correto?


Nossa medida de sucesso está relacionada às respostas receptivas que encontramos, aos aceites de nossas abordagens.


Mas o que aconteceria se subvertêssemos essa lógica? Ou seja, se transformássemos o “não” em objetivo?


Foi esse raciocínio que guiou Jason Comely, quando ele criou, para si, um jogo que ficou conhecido como terapia da rejeição.


O conceito do jogo se resume em elaborar pequenas tarefas, cuja meta é obter respostas negativas. Ao menos uma por dia.


Por exemplo: pedir para tirar uma foto com um estranho, solicitar um grande desconto numa loja, tentar vender algo por um preço exorbitante…


A cada “não” que se recebe, missão cumprida.


Comely encontrou nessa fórmula um exercício de resiliência e aprendizado. Procurando pela rejeição — em situações banais e lúdicas — adquiriu imunidade frente ao medo de enfrentá-la, em outras condições da vida.


Ele venceu sua fobia social. Recobrou o controle sobre suas escolhas. E descobriu que a rejeição não acaba com a vida de ninguém. O que estaciona a existência é o receio de encará-la.


100 dias de rejeição


A ideia de Comely ganhou popularidade. Se alastrou pela internet e se transformou num jogo de cartas, com propostas de desafios, para quem quisesse aderir à terapia da rejeição.


O chinês Jia Jiang foi um dos que embarcaram na proposta.


Em 2012, contava com uma oferta de investimento, que significava muito para a empresa que recém havia começado.


No entanto, nos momentos finais da negociação, os investidores mudaram de ideia. Jiang ficou sem o dinheiro e pensou em desistir do empreendimento.


Mas Jiang pensou que, se quisesse prosperar como empresário, devia aprender a lidar com rejeições. Elas seriam comuns em sua trajetória e não poderiam ser capazes de o desestimular e desviar seu foco.


O que ele fez? Recorreu ao Google, para descobrir “como superar a rejeição”.


Após ler vários artigos sobre o tema, textos com mensagens positivas e outras dicas — que não o ajudaram muito —, se deparou com o jogo de Comely. E se entusiasmou com a proposta.


Resolveu que iria experimentar aquela terapia.


Inventou desafios diários para si, comprometendo-se a filmar suas performances e compartilhá-las num blog. Durante 100 dias.


A experiência de Jia Jiang com a terapia da rejeição


A odisseia de Jiang conta com exemplos engraçados (como pedir um refil de hambúrguer) e audaciosos (entrevistar o presidente Barack Obama).


Mais do que, simplesmente, perseguir o “não” nos desafios diários, Jiang refletiu sobre cada uma de suas “missões”.


Ele notou lições importantes, que modificaram seu modo de interpretar as rejeições.


Por exemplo, após receber uma resposta negativa, passou a perguntar os porquês.


Entender os motivos das recusas lhe permitiam duas coisas: argumentar, vencendo a rejeição inicial e também compreender as razões do outro, o que descaracterizava a rejeição como algo pessoal.


Ser rejeitado dói porque nos sentimos humilhados, excluídos, menores. Quando passamos a entender que os porquês não estão em nós — ou que podemos melhorar nossas abordagens —, ficamos mais seguros para seguir em frente. E tentar outras vezes.


Esse foi outro grande aprendizado de Jiang. Ele entendeu que, por mais absurda que fosse sua proposta, as rejeições não eram uma regra universal.


Quando procuramos coragem para fazer alguma coisa, um tradicional conselho incentivador nos diz que o pior que pode acontecer é recebermos um “não”.


Jiang e Comely não concordam com essa ideia. Eles acreditam que o pior que pode nos acontecer é nem mesmo perguntarmos…


Experimente praticar a terapia da rejeição. Por 100 dias, um mês, uma semana. Não importa. O objetivo é se libertar do medo. E aprender que, se não ousarmos bater à porta, ela jamais irá se abrir.


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