Resiliência: táticas para ser mais resiliente a partir de agora



Resiliência, segundo definição do Longman Dictionary of Contemporary English, é “a capacidade de se tornar forte, feliz ou bem-sucedido novamente, após uma situação ou evento difícil”.


Conhecendo o significado da palavra, entendemos por que ela conquistou tamanha popularidade no cenário atual.


Basta uma busca pela hashtag “resiliência” (e seus derivados), no Instagram, para ter uma leve noção do quanto o assunto desperta interesse.


Em tempos líquidos — conforme conceituou o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman — estamos, constantemente, experimentando rupturas e a necessidade de reinvenção.


Ser resiliente, portanto, é uma necessidade cotidiana. É o que nos dá fôlego para seguir em frente, vencer adversidades e manter uma perspectiva otimista.


Você deve conhecer algumas pessoas que parecem “inquebráveis”. Elas se adaptam com destreza invejável e não esmorecem, mesmo após amargarem impactantes reveses.


O que, talvez, você não saiba, é que também pode aprender a ser mais resiliente.


Sim, a resiliência é uma habilidade treinável. E, se imagina que, para alcançar tal disposição, são necessárias medidas drásticas, este texto vai lhe mostrar o contrário.


Siga a leitura e descubra táticas que — literalmente, em poucos minutos — irão aumentar sua capacidade de superação.


O jogo da resiliência: conheça a história de Jane McGonigal


No verão de 2009, a designer de jogos norte-americana, Jane McGonigal, sofreu um acidente que redefiniu sua vida.


Jane bateu a cabeça e sofreu uma concussão. Em decorrência da lesão, sua rotina se tornou impraticável. Vertigens, náuseas, perda de memória, dores de cabeça… O mal-estar era contínuo e chegava a impedir de sair da cama.


Para piorar, a síndrome pós-concussional não tem tratamento. Tudo o que podia fazer era descansar e evitar qualquer coisa que desencadeasse os sintomas: trabalhar, ler, escrever, praticar atividades físicas… enfim, devia acatar a uma série infinita de restrições.


Mesmo com todos os cuidados, Jane foi informada pelos médicos que sua condição poderia se prolongar por meses — ou, até, anos.


Extremamente deprimida e angustiada, ela enfrentou um outro problema, muito comum em pessoas que sofrem danos cerebrais: ideações suicidas.


Depois de 34 dias de extremo sofrimento e confusão mental, Jane chegou a uma conclusão: “ou eu vou acabar me matando ou vou transformar isso em um jogo”.


Na época, Jane já pesquisava a psicologia dos jogos há mais de 10 anos. Em seu doutorado, na Universidade da Califórnia, Berkeley, investigava como habilidades desenvolvidas por jogadores — criatividade, otimismo e determinação diante dos desafios — poderiam ser utilizadas para lidar com obstáculos na vida real.


A designer decidiu colocar em prática os conhecimentos de que dispunha. Então, elaborou um jogo simples, que consistia em:


  • adotar uma identidade secreta (um avatar heroico, que ela denominou de “Jane, A Matadora de Concussões”);

  • recrutar aliados (chamou, primeiramente, a irmã e o marido);

  • derrotar inimigos (coisas que poderiam desencadear os sintomas da síndrome pós-concussão);

  • ativar itens de energia (atitudes simples e positivas, que a deixavam um pouco melhor, como afagar seu cachorro).


Os inevitáveis sintomas não desapareceram. Na verdade, se prolongaram por mais de 1 ano. Mas a depressão, a ansiedade e pensamentos suicidas ficaram para trás, após alguns dias.


Apesar da realidade das dores, Jane parou de sofrer.


Se sentia mais forte do que nunca. E estava determinada não apenas a se recuperar, mas a ser “supermelhor”, em relação ao que era antes do acidente.


Resiliência e crescimento pós-traumático


Jane McGonigal ficou tão entusiasmada com os resultados que vinha obtendo com seu jogo que decidiu compartilhar sua experiência.


Em um blog, postou seu relato e explicou a dinâmica da invenção.


Não demorou para começar a receber depoimentos de pessoas que estavam utilizando seu método para enfrentar as mais diversas situações.


De pacientes com câncer a indivíduos de coração partido, o jogo estava ajudando a trazer coragem, força e confiança àqueles que viviam momentos difíceis.


Diante de tantos testemunhos positivos, Jane ficou intrigada. Qual o verdadeiro poder de seu jogo?


Buscando respaldo científico, ela descobriu que, frente a um grande sofrimento, existem pessoas que desenvolvem algo chamado crescimento pós-traumático. Ou seja, na dificuldade, encontram um gatilho para a revolução pessoal.


O jogo de Jane funcionava porque ele convocava essa capacidade intrínseca do ser humano, oferecendo uma “trilha” para ações que levariam ao crescimento, por meio de um enfrentamento positivo da dor.


Não satisfeita com o que havia descoberto até então, Jane passou a se interrogar se havia um modo de trazer os benefícios do crescimento pós-traumático sem que, necessariamente, a pessoa precisasse passar por um episódio de estresse tão significativo.


Em suas pesquisas, percebeu que 4 tipos de resiliência estavam envolvidos no processo de superação de traumas.


E, mais do que isso, a literatura científica indicava que essas 4 formas de resiliência poderiam ser incrementadas, com simples exercícios diários, por qualquer pessoa interessada em se tornar mais forte, feliz e persistente.


SuperBetter: como desenvolver 4 tipos de resiliência em 5 minutos


As ideias da designer evoluíram e se tornaram um jogo digital, disponível gratuitamente, que ganhou o nome de SuperBetter (em alusão à sensação que procura despertar).


Também é possível conhecer o trabalho de Jane McGonigal no livro “SuperBetter: The Power of Living Gamefully” (ainda sem versão em português).


Na publicação, ela propõe desafios lúdicos e expõe argumentos científicos, que embasam a legitimidade das atividades como facilitadores de crescimento pessoal.


É interessante baixar o aplicativo do jogo ou conhecer o livro, para desfrutar da experiência transformadora, em sua plenitude.


Mas, para você ter uma amostra do quão práticos, rápidos e objetivos são os desafios de SuperBetter, confira 4 “missões” para executar agora mesmo — e entender por que elas repercutem em seus níveis de resiliência.


1. Desafio para desenvolver a resiliência física


Fique em pé e dê 3 passos ou feche as mãos e erga os braços, o mais alto possível, mantendo a posição por 5 segundos.


Conseguiu completar a missão? Parabéns! Você acaba de aumentar sua resiliência física.


Quando passamos vários minutos parados, o metabolismo desacelera e isso prejudica nosso sistema imunológico e capacidade de lidar com o estresse.


Estudos apontam que breves interrupções nesse estado inerte já exercem efeitos positivos na saúde do corpo.


Você se sentirá mais disposto, dormirá melhor e beneficiará seu coração, pulmões e cérebro.


2. Desafio para desenvolver a resiliência mental


Estale seus dedos 50 vezes ou faça uma contagem regressiva de 100 a zero, contando de 7 em 7 (ou seja, 100, 93, 86... e assim por diante).


Apesar de ser extremamente simples, essa tarefa exige que você esteja focado (para não se perder na contagem) e determinado o suficiente, para não desistir no meio do caminho.


Agora, lembre o que falamos no início deste texto: a resiliência é treinável. E, quanto mais você a estimula, mais a fortalece.


Portanto, exercícios como esses são excelentes para estimular a força de vontade.


Não desista de completar desafios banais. É com eles que você aprende a disciplinar sua atenção e persistir frente a obstáculos.


3. Desafio para desenvolver a resiliência emocional


Procure, no Google, por imagens de filhotes de seus animais favoritos ou vá até uma janela e olhe através dela.


A ideia aqui é provocar emoções positivas — como amor ou curiosidade.


Emoções negativas podem ser inevitáveis. Mas, é possível sobrepujar seus efeitos. Basta cultivar e evocar mais emoções positivas do que negativas. Considere a proporção de 3 para 1, a fim de manter um equilíbrio vantajoso.


A resiliência emocional favorece o bem-estar físico e psicológico, contribuindo para aumento da longevidade, produtividade e otimismo.


4. Desafio para desenvolver a resiliência social


Apertar a mão de alguém por 6 segundos ou enviar uma curta mensagem de texto para um conhecido, expressando agradecimento.


A resiliência social equivale a nossa capacidade de obter ajuda e apoio de outras pessoas, o que é essencial para o sucesso pessoal, sob muitas perspectivas.


Quando nos isolamos, não conseguimos nos comunicar ou teimamos em ser autossuficientes, nos sobrecarregamos.


O toque e a gratidão são formas poderosas de fortalecer conexões sociais. Experimente e note os resultados!


Enfim, a principal lição de SuperBetter é que uma vida melhor não depende de atitudes complexas. Grandes mudanças podem ser promovidas a partir de micropassos.


Agora, é com você! Pratique o “jogo da resiliência” diariamente, várias vezes ao dia, sempre que tiver oportunidade. Invente novos desafios, abrace oportunidades de encorajar seu lado lúdico!


Depois volte aqui para nos contar como se sente ao encontrar o “superpoder” de superar a si mesmo.


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