Resiliência: táticas para ser mais resiliente a partir de agora

Atualizado: Fev 11

A resiliência é uma virtude rara, destinada a poucos? Nada disso! Descubra como ativar 4 tipos de resiliência em minutos.


"A resiliência é fundamentalmente sustentada pelo conceito de que não são os tempos difíceis que enfrentamos que determinam nosso sucesso ou fracasso, mas a maneira como respondemos a esses tempos difíceis." — Rachel Jackson e Chris Watkin

Resiliência, segundo definição do Longman Dictionary of Contemporary English, é “a capacidade de se tornar forte, feliz ou bem-sucedido novamente, após uma situação ou evento difícil”.


Conhecendo o significado da palavra, entendemos por que ela conquistou tamanha popularidade no cenário atual.


Basta uma busca pela hashtag “resiliência” (e seus derivados), no Instagram, para ter uma leve noção do quanto o assunto desperta interesse.


Em tempos líquidos — conforme conceituou o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman — estamos, constantemente, experimentando rupturas e necessidade de reinvenção.


Ser resiliente, portanto, é uma necessidade cotidiana.


É o que nos dá fôlego para seguir em frente, vencer adversidades e manter uma perspectiva otimista.


Você deve conhecer algumas pessoas que parecem “inquebráveis”.


Elas se adaptam com destreza invejável e não esmorecem, mesmo após amargarem impactantes reveses.


O que, talvez, você não saiba, é que também pode aprender a ser mais resiliente.


Sim, a resiliência é uma habilidade treinável.


E, se você imagina que, para alcançar tal disposição, são necessárias medidas drásticas, este texto vai te mostrar o contrário.


Siga a leitura e descubra táticas que — literalmente, em poucos minutos — irão aumentar sua capacidade de superação.


O jogo da resiliência: conheça a história de Jane McGonigal


No verão de 2009, a designer de jogos norte-americana, Jane McGonigal, sofreu um acidente que redefiniu sua vida.


Jane bateu a cabeça e sofreu uma concussão.


Em decorrência da lesão, sua rotina se tornou impraticável. Vertigens, náuseas, perda de memória, dores de cabeça... O mal-estar era contínuo e chegava a impedir de sair da cama.


Para piorar, a síndrome pós-concussional não tem tratamento.


Tudo o que Jane podia fazer era descansar e evitar qualquer coisa que desencadeasse os sintomas. Ou seja, ela precisava se privar de trabalhar, ler, escrever, praticar atividades físicas... Enfim, devia acatar a uma série infinita de restrições.


Mesmo com todos os cuidados, Jane foi informada pelos médicos que sua condição poderia se prolongar por meses — ou, até, anos.


Extremamente deprimida e angustiada, ela enfrentou um outro problema, muito comum em pessoas que sofrem danos cerebrais: ideações suicidas.


Como surgiu a ideia do jogo da resiliência


Depois de 34 dias de extremo sofrimento e confusão mental, Jane chegou a uma conclusão: “ou eu vou acabar me matando ou vou transformar isso em um jogo”.


Na época, Jane já pesquisava a psicologia dos jogos há mais de 10 anos.


Em seu doutorado, na Universidade da Califórnia, Berkeley, ela investigava como habilidades desenvolvidas por jogadores — tais como criatividade, otimismo e determinação diante dos desafios — poderiam ser utilizadas para lidar com obstáculos na vida real.


Ora, naquele momento, ela precisava das habilidades dos jogadores para superar sua condição!


Sendo assim, a designer decidiu colocar em prática os conhecimentos de que dispunha.


O que fez?


Transformou sua "saga" num roteiro. Usou elementos comuns de jogos, criando uma conexão entre seu processo de recuperação e o passo a passo de um game.


Os elementos que estipulou consistiam no seguinte:

  1. Adotar uma identidade secreta (um avatar heroico, que ela denominou de “Jane, A Matadora de Concussões”).

  2. Recrutar aliados (nessa etapa, contou com sua irmã e o marido).

  3. Derrotar inimigos (Jane relacionou os inimigos a coisas que poderiam desencadear os sintomas da síndrome pós-concussão);

  4. Ativar itens de energia (seus "poderes" seriam atitudes simples e positivas, que a deixavam um pouco melhor — tais como afagar seu cachorro).


Qual o resultado dessa experiência?


Os inevitáveis sintomas não desapareceram. Na verdade, se prolongaram por mais de 1 ano.


Mas a depressão, a ansiedade e pensamentos suicidas ficaram para trás, após alguns poucos dias.


Apesar da realidade das dores, Jane parou de sofrer.


Se sentia mais forte do que nunca.


E estava determinada não apenas a se recuperar, mas a ser “supermelhor”, em relação ao que era antes do acidente.

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Resiliência e crescimento pós-traumático


Jane McGonigal ficou tão entusiasmada com os resultados que vinha obtendo com seu jogo que decidiu compartilhar sua experiência.


Em um blog, postou seu relato e explicou a dinâmica da invenção.


Não demorou para começar a receber depoimentos de pessoas que estavam utilizando seu método para enfrentar as mais diversas situações.


De pacientes com câncer a indivíduos de coração partido, o jogo estava ajudando a trazer coragem, força e confiança àqueles que viviam momentos difíceis.


Diante de tantos testemunhos positivos, Jane ficou intrigada. Qual o verdadeiro poder de seu jogo?


Buscando respaldo científico, ela descobriu que, frente a um grande sofrimento, existem pessoas que desenvolvem algo chamado crescimento pós-traumático. Ou seja, na dificuldade, encontram um gatilho para a revolução pessoal.


O jogo de Jane funcionava porque ele convocava essa capacidade intrínseca do ser humano, oferecendo uma “trilha” para ações que levariam ao crescimento, por meio de um enfrentamento positivo da dor.


Não satisfeita com o que havia descoberto até então, Jane passou a se interrogar se havia um modo de trazer os benefícios do crescimento pós-traumático sem que, necessariamente, a pessoa precisasse passar por um episódio de estresse tão significativo.


Em suas pesquisas, percebeu que 4 tipos de resiliência estavam envolvidos no processo de superação de traumas:

  • resiliência física;

  • resiliência mental;

  • resiliência emocional;

  • resiliência social.

"A resiliência física se refere à capacidade do corpo de se adaptar aos desafios, manter a resistência e a força e se recuperar com rapidez e eficiência." — Katie Hurley

Investigando a literatura científica, Jane McGonigal concluiu que essas 4 formas de resiliência poderiam ser incrementadas, com simples exercícios diários.


E isso está ao alcance de qualquer pessoa interessada em se tornar mais forte, feliz e persistente.

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SuperBetter: como desenvolver 4 tipos de resiliência em 5 minutos

Técnicas de SuperBetter para desenvolver os 4 tipos de resiliência.

As pesquisas de Jane McGonigal evoluíram e se tornaram um jogo digital.


Disponível gratuitamente, o game ganhou o nome de SuperBetter — em alusão à sensação de intenso bem-estar que procura despertar.


Também é possível conhecer o trabalho de Jane McGonigal no livro “SuperBetter: The Power of Living Gamefully” (ainda sem versão em português).


Na publicação, ela propõe desafios lúdicos e expõe argumentos científicos, que embasam a legitimidade das atividades como facilitadores de crescimento pessoal.


É interessante baixar o aplicativo do jogo ou conhecer o livro, para desfrutar da experiência transformadora, em sua plenitude.


Mas, para você ter uma amostra do quão práticos, rápidos e objetivos são os desafios de SuperBetter, confira 4 “missões” para executar agora mesmo — e entender por que elas repercutem em seus níveis de resiliência.


1. Exercício para desenvolver a resiliência física


Primeiro, para entender do que se trata a resiliência física, veja a definição proposta pela psicoterapeuta Katie Hurley, em texto publicado no site Everyday Health:

"A resiliência física se refere à capacidade do corpo de se adaptar aos desafios, manter a resistência e a força e se recuperar com rapidez e eficiência. É a capacidade de uma pessoa funcionar e se recuperar quando confrontada com doenças, acidentes ou outras demandas físicas."

Ou seja, se você se preocupa com sua qualidade de vida, faz sentido investir nessa habilidade, concorda?

Então, comece praticando o seguinte exercício — proposto em SuperBetter — para aumentar a resiliência física:


Fique em pé e dê 3 passos ou feche as mãos e erga os braços, o mais alto possível, mantendo a posição por 5 segundos.


Conseguiu completar a missão? Parabéns! Você acaba de aumentar sua resiliência física.


Quando passamos vários minutos parados, o metabolismo desacelera e isso prejudica nosso sistema imunológico e capacidade de lidar com o estresse.


Estudos apontam que breves interrupções nesse estado inerte já exercem efeitos positivos na saúde do corpo.


Praticando esse exercício rápido, em momentos alternados do dia, você se sentirá mais disposto, dormirá melhor e beneficiará seu coração, pulmões e cérebro.


2. Exercício para desenvolver a resiliência mental


De acordo com a APA (Associação Americana de Psicologia), resiliência mental é "o processo de adaptação em face de adversidades, traumas, tragédias, ameaças ou mesmo fontes significativas de estresse."


Agora, veja uma tática sugerida pela pesquisadora Jane McGonigal para aprimorar a habilidade:


Estale seus dedos 50 vezes ou faça uma contagem regressiva de 100 a zero, contando de 7 em 7 (ou seja, 100, 93, 86... e assim por diante).


Apesar de ser extremamente simples, essa tarefa exige que você esteja focado (para não se perder na contagem) e determinado o suficiente — para não desistir no meio do caminho.


Lembre o que falamos no início deste texto: a resiliência é treinável. E, quanto mais você a estimula, mais a fortalece.


Portanto, exercícios como esses são excelentes para estimular a força de vontade.


Não desista de completar desafios banais. É com eles que você aprende a disciplinar sua atenção e persistir frente a obstáculos.

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3. Exercício para desenvolver a resiliência emocional


A psicoterapeuta Elizabeth Scott, especialista em gerenciamento do estresse, explica:

"A resiliência emocional refere-se à capacidade de adaptação a situações ou crises estressantes. Pessoas mais resilientes são capazes de 'desviar dos golpes' e se adaptar à adversidade sem dificuldades duradouras. Pessoas menos resilientes têm mais dificuldade com o estresse e as mudanças de vida, tanto grandes como pequenas. Pesquisas mostram que aqueles que lidam com tensões menores com mais facilidade também podem gerenciar crises maiores com maior facilidade."

Se você deseja aumentar sua resiliência emocional, siga esta dica de SuperBetter:


Procure, no Google, por imagens de filhotes de seus animais favoritos ou vá até uma janela e olhe através dela.


A ideia aqui é provocar emoções positivas — como amor ou curiosidade.


Emoções negativas podem ser inevitáveis. Mas, é possível sobrepujar seus efeitos. Basta cultivar e evocar mais emoções positivas do que negativas. Considere a proporção de 3 para 1, a fim de manter um equilíbrio vantajoso.


A resiliência emocional favorece o bem-estar físico e psicológico, contribuindo para aumento da longevidade, produtividade e otimismo.

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4. Exercício para desenvolver a resiliência social


No aspecto social da resiliência, o desafio do jogo SuperBetter que destacamos é:


Aperte a mão de alguém por 6 segundos ou envie uma curta mensagem de texto para um conhecido, expressando agradecimento.


A resiliência social equivale a nossa capacidade de obter ajuda e apoio de outras pessoas, o que é essencial para o sucesso pessoal, sob muitas perspectivas.


Quando nos isolamos, não conseguimos nos comunicar ou teimamos em ser autossuficientes, nos sobrecarregamos.


O toque e a gratidão são formas poderosas de fortalecer conexões sociais. Experimente e note os resultados!

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Enfim, a principal lição de SuperBetter é que uma vida melhor não depende de atitudes complexas. Grandes mudanças podem ser promovidas a partir de micropassos.


Agora, é com você! Pratique o “jogo da resiliência” diariamente, várias vezes ao dia, sempre que tiver oportunidade. Invente novos desafios, abrace oportunidades de encorajar seu lado lúdico!


Depois volte aqui para nos contar como se sente ao encontrar o “superpoder” de superar a si mesmo.


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