Síndrome da cabana: como você está se sentindo na quarentena?

Os meses de confinamento mexeram com seu humor, energia e produtividade? A explicação para isso está na síndrome da cabana.

Mulher em quarentena sofrendo os efeitos do isolamento
O isolamento pode levar à síndrome da cabana.

Tópicos abordados neste texto:

O que é síndrome da cabana


Quer ver um jeito simples de entender o que é síndrome da cabana?


Então pense na sensação de “não aguento mais” que você está experimentando agora, depois de todo esse tempo de quarentena.


Você está exausto, se percebe mais nervoso.


E, por uma boa razão, anda com muito medo de sair de casa.


O tal “novo normal” de que tanto falam ainda é uma grande interrogação para você.

Como será o trabalho daqui para frente? E os encontros com as pessoas? Poderemos festejar, viajar, nos abraçar em paz?

É tudo muito inseguro…

Para piorar, o isolamento social vai contra à saúde do cérebro.

Sabe aquela máxima de que somos animais sociais? Então, ela é tão verdadeira que o cérebro interpreta a solidão como um desconforto (ou perigo) equivalente à fome!

Precisamos de companhia porque nossos ancestrais pré-históricos precisavam desesperadamente de companhia para sobreviver; a presença de outros seres humanos garantiu proteção e amparo, tanto para eles quanto para seus filhos. Nossos cérebros ainda pensam que precisamos estar cercados por outras pessoas para sobreviver e prosperar”, afirma neurocientista Elena Blanco-Suarez no texto A neurociência da solidão (disponível em inglês).

Portanto, estamos num embate: nossa natureza pede contato humano. Mas também precisa do confinamento, para ser preservada.

O resultado de tudo isso?

Você está sentindo — em seu corpo, em seus comportamentos, em sua produtividade — os sintomas da síndrome da cabana.


Sintomas da síndrome da cabana


Você já deve ter notado que as pessoas estão reagindo de modo diferente às restrições sociais.

Lógico, para alguns, as mudanças na rotina em função da pandemia de Covid-19 não trouxeram tanta angústia.

Essas pessoas encontraram um equilíbrio — sobre o qual vamos falar mais tarde — que permitiu uma visão mais assertiva e resiliente sobre o cenário.

Por outro lado, muitos comentam que estão se sentindo “estranhos”.

Notam que algo parece fora do controle: o sono, o humor, a fome…

Essas alterações — quando se tornam contínuas, incômodas ou prejudiciais (a qualquer aspecto da vida) — são indícios da síndrome da cabana.

Na verdade, os sintomas mudam, de pessoa para pessoa.

Então, para entender melhor o que pode ser sinal de síndrome da cabana, dê uma olhada nas listas abaixo:


Sintomas físicos da síndrome da cabana

  • Tensão muscular — principalmente nos ombros, costas e pescoço.

  • Rigidez na mandíbula (você se pega “apertando” ou rangendo os dentes, como fazem pessoas com bruxismo).

  • Sensação de cansaço excessivo (desproporcional aos esforços que você faz).

  • Dificuldade de levantar da cama pela manhã.

  • Insônia ou sono muito agitado.

  • Vontade de tirar cochilos durante o dia (coisa que você não estava acostumado).

  • Prisão de ventre.

  • Tremedeiras (mais perceptíveis nas mãos).

  • Muita fome (desejo intenso por junk food, doces e carboidratos) — ou, o contrário, falta de apetite.

  • Dores de cabeça.

Sintomas mentais, emocionais e comportamentais da síndrome da cabana

  • Falta de motivação para coisas banais, como tomar banho e tirar o pijama.

  • Abuso de bebidas alcoólicas para se sentir relaxado.

  • Vício em internet ou compulsão alimentar (comportamentos também adotados como estratégias de fuga).

  • Inquietação.

  • Tédio.

  • Medo de sair de casa.

  • Nível de estresse difícil de controlar.

  • Dificuldade para se concentrar ou completar as tarefas de trabalho.

  • Baixa produtividade.

  • Intensa irritabilidade (e impaciência).

  • Sensação de desespero.

  • Melancolia ou tristeza persistente.

Nos casos mais graves, os sintomas da síndrome da cabana podem levar à depressão, paranoia, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), agorafobia, ansiedade generalizada, automutilação e pensamentos suicidas.


Existe cura para a síndrome da cabana?


Primeiro, precisamos esclarecer: síndrome da cabana é uma expressão popular — que existe há mais de 100 anos — usada para descrever os desconfortos que algumas pessoas sentem ao passarem muito tempo trancadas em suas casas, especialmente nos países de inverno rigoroso.

Não se trata de um diagnóstico médico e tampouco figura no DSM-5 (manual de referência sobre transtornos mentais, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria).

Isso significa que, quando falamos sobre a síndrome da cabana, não estamos nos referindo a uma doença propriamente dita — e sim a um conjunto de sintomas, reais e passíveis de tratamento.

Portanto, veja no próximo tópico o que você pode adotar como estratégia de prevenção ou enfrentamento frente aos sintomas da síndrome da cabana.


5 dicas para lidar com a síndrome da cabana


1. Pratique exercícios físicos


Encontre uma atividade para praticar em casa ou, se for possível, ao ar livre — em horários e locais de pouco movimento, a fim de reduzir as chances de exposição ao coronavírus.

A inatividade física causa desequilíbrios hormonais, má circulação sanguínea e atrofia muscular.

Por consequência, aumenta o risco de uma série de problemas de saúde, incluindo pressão alta, níveis elevados de colesterol e sintomas depressivos ou ansiosos.


2. Busque contato com a natureza


Não precisa, necessariamente, ser na rua. Cuidar de plantas ou cultivar uma pequena horta em casa já surte ótimo efeito no seu bem-estar.


3. Mantenha contato social


Mesmo que você não seja um grande apreciador da comunicação à distância, faça um esforço!


Combine videochamadas com seus amigos ou participe de grupos de Facebook com tópicos de seu interesse.


4. Exponha-se à luz solar

Mulher se banhando da luz do sol
Se expor ao sol e a natureza estimula a alegria e o bem estar.

A ausência de exposição à luz do sol pode levar à deficiência de vitamina D — o que pode resultar em dores musculares e nos ossos, sensação de fadiga, fraqueza e até problemas cognitivos.

Se não puder sair de casa para tomar um banho de sol por 15 minutos, procure deixar janelas abertas e tente trabalhar em um local que receba maior incidência de luz natural.


5. Escute suas músicas favoritas


Que tal se desligar um pouco das redes sociais e da televisão? Preencher o silêncio com boa música fará muito bem ao seu humor!


6. Mantenha uma dieta saudável


Sua alimentação tem grande impacto sobre a forma como você se sente — tanto no que diz respeito ao seu humor quanto à sua disposição física.

Logo, se você tem sido relapso com suas refeições, saiba que esse descuido pode ser responsável por boa parte das sensações ruins que vem experimentando.

Calma, você não precisa se privar dos prazeres que uma gostosa sobremesa ou uma pizza trazem ao seu paladar. Apenas faça dessas “escapadelas” um momento de exceção em sua rotina.

Quer uma ajuda para pensar num cardápio mais saudável? Então leia o texto Quais os alimentos que podem ajudar no tratamento da depressão? e veja algumas dicas.

7. Comece um novo hobby

Você sabia que ter um hobby — ou seja, um passatempo prazeroso — estimula sua atividade cerebral, melhora a autoestima e reduz o estresse?

Lista de motivos para se ter um hobby
Fortes razões para você ter um hobby.

O texto "Qual o hobby ideal para você" esclarece melhor a relação entre bem-estar e momentos de lazer. Clique no link e confira ótimos argumentos para passar a entender os passatempos como parte essencial da busca por qualidade de vida.


8. Estruture sua rotina


Planeje suas atividades, estabeleça metas e siga horários regulares para suas refeições e descanso.


Esses hábitos beneficiam seu relógio biológico e evitam que você se sinta deprimido.


9. Cuide da higiene do sono


É perfeitamente compreensível que os efeitos da quarentena tenham alterado uma série de hábitos que você tinha no período pré-pandemia.

Afinal, seu trabalho mudou, suas relações familiares precisaram se adaptar e seus relacionamentos (sociais e amorosos) estão num novo contexto.

Há coisas, no meio disso tudo, que você não pode controlar. Mas existem departamentos que estão sob sua responsabilidade!

Manter horários regulares para ir deitar e levantar da cama é um bom exemplo de algo simples, que você pode gerenciar, e que faz um bem enorme para sua saúde física e mental.

Caso a síndrome da cabana esteja repercutindo em seus hábitos de sono, experimente seguir as sugestões do post Insônia: 17 dicas para dormir melhor.

As dicas se aplicam tanto para quem tem dificuldade de pegar no sono quanto para aqueles que não se sentem descansados ao despertar.


Outros recursos


Se você se identificou com os sintomas da síndrome da cabana que listamos neste texto, tentou seguir as dicas de autocuidado e, ainda assim, não as considerou suficientes, converse com um profissional de saúde!

Relate ao seu médico de confiança os incômodos que vem sentindo.

Provavelmente, ele irá lhe aconselhar a fazer terapia.

Aliás, você já deve ter reparado que muitas empresas estão incluindo sessões de terapia online como parte dos benefícios oferecidos aos funcionários.

Essa medida visa, justamente, prevenir e atenuar os efeitos da síndrome da cabana, uma vez que as condições psicológicas interferem — e muito! — na produtividade.

Leitura sugerida: Consulta com psicólogo: como é a primeira sessão de terapia?

Se você tiver outras dúvidas sobre a síndrome da cabana — ou quiser contar sua experiência nestes tempos de pandemia — escreva no campo dos comentários!






Clinica de Psicologia Nodari

Clínica de Psicologia Especializada em Terapia Cognitivo Comportamental.

Está localizada na Vila Mariana/SP

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