Síndrome do pensamento acelerado (SDA): será que você sofre desse mal?



A síndrome do pensamento acelerado (SDA), mais do que um mal-estar individual, se sugere como um sintoma de nosso tempo.


Portanto, há grandes chances de você se identificar com as características do distúrbio, bem como notar, ao seu redor, o pleno desenvolvimento de suas causas e consequências.


Neste post, esclarecemos pontos cruciais sobre a síndrome do pensamento acelerado. Confira as informações e descubra se você é uma possível vítima desse transtorno, que afeta uma grande parte da população.


O que é a síndrome do pensamento acelerado?


O termo, proposto pelo psiquiatra Augusto Cury, descreve um dos principais gatilhos da ansiedade: o vício em pensar.


Longe de demonizar a atividade intelectual, Cury alerta sobre hábitos que a prejudicam.


Segundo o médico, o excesso de pensamentos e o acúmulo de informações — típicos da SDA — perturbam a criatividade, o raciocínio e, mais a fundo, a capacidade de viver o presente.


Multiplicamos nossas funções, nos cobramos alta produtividade, nos dispersamos em inúmeros canais de comunicação…


Como resultado, nos sentimos sempre um passo atrás, correndo contra o tempo — que se esvai, indiferente às nossas ambições de dar conta de tudo.


Nesse ritmo frenético, a reflexão fica esquecida. A mente, sobrecarregada, dá sinais de esgotamento. E os prejuízos não tardam a aparecer, afetando a saúde, os relacionamentos e a performance profissional.


Enfim, se você se sente atropelado por um turbilhão de ideias, compromissos e preocupações, entende — na prática — o que Augusto Cury chamou de “mal do século”.


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Por que o pensamento acelerado é um problema?


Apenas pessoas que pensam muito, que se dedicam a aprender continuamente, conseguem criar coisas novas, soluções revolucionárias, ideias surpreendentes. Correto?


Sim, correto. Graças à curiosidade e busca pelo conhecimento, sobrevivemos e evoluímos.


O sucesso de empresários, inventores, artistas, chefs, alunos… depende de sua dedicação ao pensamento.


Então por que pensar demais é encarado como um malefício?


Precisamos entender que há diferenças entre quantidade e qualidade.


Concentração é a premissa para que consigamos assimilar informações ou elaborar ideias. Quando há um objetivo claro — um foco para o interesse —, somos capazes de realizar conexões inusitadas, lembrar de referências e exercitarmos senso crítico.


O sentido da síndrome do pensamento acelerado é o oposto disso.


Há quantidade de pensamentos, não qualidade.


A concentração tem fugas, o que empobrece o raciocínio e, por consequência, seus produtos.


Faça um exercício simples: depois de visualizar centenas de conteúdos em sua rede social, do que é capaz de lembrar?


Quando chega em casa, após o dia de trabalho, você destina seu tempo ao convívio com seus familiares ou considera que faz isso enquanto assiste à televisão, procura por um filme — dentre infinitas opções —, consulta o celular, redige emails “urgentes”?


O pensamento acelerado, ao contrário do pensamento profundo e reflexivo, subtrai a capacidade do diálogo (consigo mesmo e com os outros).


No lugar de concentração, impera a distração. Ao invés de diálogos construtivos, a mente grita uma confusão de vozes autoritárias, que impõem cobranças.


De acordo com Augusto Cury, é nesse ponto que o cérebro se desgasta e estressa.


Assim, paradoxalmente, o excesso de pensamentos acaba por inibir a inteligência, tanto em seus aspectos lógicos quanto emocionais.


Quais são as causas do distúrbio?


A tecnologia tem papel central no desenvolvimento da SDA. Ou melhor, não a tecnologia em si, mas o uso que fazemos dela.


Um exemplo dessa consideração é o WhatsApp. Veja quantas facilidades o aplicativo nos trouxe! Com ele, podemos fazer ligações, enviar mensagens de áudio, textos e imagens, com agilidade impressionante, a qualquer hora do dia.


É ótimo não ter que pagar uma fortuna por uma ligação internacional ou esperar meses por uma carta. É divertido compartilhar piadas e memes com amigos. É útil contar com grupos para trocas de informações.


Poderíamos seguir enumerando benefícios e mudanças positivas que o WhatsApp trouxe para nosso cotidiano. Mas você já os conhece, por experiência própria.


Por outro lado, já parou para analisar o quanto a facilidade passou a ser interpretada, por nós, como um imperativo de urgência?


A mensagem que você envia, ou recebe, exige atenção instantânea. O sinal sonoro do smartphone rouba a cena e interrompe qualquer outra atividade em curso.


É o aplicativo que impõe essa dinâmica? Não.


Simplesmente, resolvemos encarar como naturais as interrupções frequentes, sem avaliar seus efeitos cumulativos.


Não somos máquinas. Mas, às vezes, parece que nos esquecemos disso. E insistimos em nos comportar como uma.


Será mesmo que você precisa responder mensagens imediatamente? Precisa verificar suas redes sociais enquanto almoça? Precisa levar o trabalho para a cama?


Em vários momentos do livro “Ansiedade: como enfrentar o mal do século”, Augusto Cury manifesta seu entendimento quanto ao uso prejudicial que fazemos de aparatos tecnológicos.


Citamos o WhatsApp, para ilustrar essa percepção. Mas não se fixe no exemplo. Permita-se uma análise mais ampla — e honesta — para encontrar, em seu dia a dia, os “vilões de sua energia”.


De forma mais objetiva, podemos usar as palavras do autor para enumerar aquelas que seriam as principais causas da síndrome do pensamento acelerado:

  • excesso de uso de celulares;

  • excesso de uso de computadores;

  • excesso de informação;

  • excesso de atividades;

  • excesso de trabalho intelectual;

  • excesso de preocupação;

  • excesso de cobrança.

Um adendo: da sabedoria grega, herdamos uma frase muito conhecida e repetida, traduzida como “conhece a ti mesmo”. Porém, no Oráculo de Delfos, local onde esse lema está inscrito, existe um outro, menos popular, que apregoa: “nada em excesso”.


Os dois conselhos soam mais atuais e necessários do que nunca. E seguem como bases incontestáveis da sabedoria, saúde e prazer de viver.


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Quais são os sintomas da síndrome do pensamento acelerado?


Os sintomas típicos da SDA incluem:

  • déficit de memória (esquecimentos corriqueiros);

  • dificuldade de concentração;

  • irritabilidade;

  • oscilações de humor abruptas;

  • baixa resiliência;

  • tendência a sofrer por antecipação;

  • ansiedade;

  • inquietação ou agitação mental;

  • fadiga;

  • insatisfação ou tédio constante;

  • impaciência;

  • transtornos de sono (insônia ou acordar frequentemente cansado);

  • dificuldade para relaxar;

  • dores de cabeça;

  • dores musculares;

  • pressão arterial elevada;

  • episódios de taquicardia;

  • queda de cabelo.


Caso você se identifique com um conjunto desses sinais de alerta, procure por ajuda profissional.


A avaliação de um psicólogo é fundamental, pois os sintomas da síndrome do pensamento acelerado podem ser confundidos com outros problemas, como transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou ansiedade generalizada (TAG).


Como cada distúrbio precisa ser tratado de forma específica, o diagnóstico depende da análise apurada dos relatos de cada indivíduo.


Quais são as formas de tratamento da SDA?


Terapia é a recomendação principal. Com acompanhamento psicológico, é possível identificar e modificar padrões de comportamento nocivos, bem como aprender a administrar as emoções de modo mais saudável.


Combinada à terapia, também pode ser indicada a consulta com um psiquiatra, a fim de complementar o tratamento com medicação oportuna.


As sugestões de medicamentos mais comuns englobam antidepressivos — que ajudam a regular o humor e a ansiedade.


Como evitar a síndrome do pensamento acelerado?


Os cuidados com a saúde mental não se restringem à busca por terapia ou medicamentos. Há outro elemento fundamental, que não pode ser esquecido: o autocuidado.


Quando consideramos a saúde física, estamos cientes que hábitos diários fazem a diferença. Sabemos que a responsabilidade pelo nosso bem-estar depende, primeiramente, de nossas escolhas.


A situação não é diferente quando falamos em saúde mental. Ela também depende de atitudes cotidianas. E do comprometimento com rotinas que preservem nosso equilíbrio.


Se quisermos nos sentir dispostos, com energia e com os pensamentos “no lugar”, precisamos colaborar!


Confira algumas estratégias que você pode adotar em seu dia a dia, com objetivo de combater a síndrome do pensamento acelerado:


1. Faça um planejamento diário


Alivie sua mente da obrigação de lembrar de tudo. Crie o hábito de anotar as tarefas que precisa cumprir.


De preferência, faça isso no final do dia, já organizando seu amanhã.


Liste tudo o que estiver em sua cabeça. Um dos efeitos é a sensação de alívio quanto a eventuais esquecimentos. Outro é que, provavelmente, você irá concluir que necessita de mais de 24 horas para dar conta de tudo…


Visualizar suas ambições ajudará a estabelecer limites mais plausíveis.


Sabendo que não pode multiplicar sua cota de horas diárias, a solução funcional será determinar prioridades. Afinal, nem tudo é tão urgente quanto parece.


Divida as demais tarefas em outros dias — ou com outras pessoas.


Após realizar cada afazer, risque-o da lista! A sensação de “dever cumprido” é prazerosa — além de ser uma coisa a menos a ocupar sua mente.


2. Concentre-se em uma coisa de cada vez


Aproveite sua lista de tarefas para pautar suas ações e evitar distrações.


Pode ser útil desmembrar um objetivo maior em uma sequência de passos menores.


Estudar para uma prova, por exemplo. É um objetivo que consome tempo, energia e pode lhe deixar ansioso, sem nem saber por onde começar.


Então fragmente a matéria em blocos. Programe um timer para soar a cada 15 ou 30 minutos. Faça intervalos de 5 minutos após o período programado. Beba um café, se alongue, confira seu celular. Depois, volte ao trabalho.


Outra dica é estabelecer horários fixos para atividades diárias. Tanto às obrigações quanto aos momentos de lazer.


Lembre que a qualidade do que você faz — e vive — resulta da atenção exclusiva que está disposto a oferecer ao presente.


Seu foco melhora com o treino. Portanto, faça de situações triviais — como fechar a porta de casa ou escovar os dentes — exercícios dessa habilidade.


3. Aprenda a relaxar


Descubra recursos para desacelerar. Perceba o que funciona para você. Por exemplo, analise suas sensações após:

  • tomar um banho morno;

  • beber uma xícara de chá;

  • caminhar ao ar livre;

  • praticar meditação;

  • fazer aulas de yoga;

  • ouvir músicas tranquilas ou mantras;

  • inalar odores calmantes (como lavanda);

  • seguir técnicas de respiração profunda;

  • adotar um hobby;

  • receber massagens relaxantes.


Faça testes, explore possibilidades, acolha sugestões. Tudo é uma questão de tentativas, até encontrar as soluções que melhor se adaptam às suas necessidades.


4. Busque moderação no uso de tecnologias


Que tal esquecer seu celular durante suas refeições e silenciá-lo enquanto conversa com amigos?


O ideal é que você determine horários específicos do dia para consultar suas redes sociais e responder mensagens.


Mas, se essa disciplina lhe parecer muito distante, comece criando os “momentos offline” obrigatórios.


O mesmo vale para outros estímulos, como a televisão. Quantas séries e programas você acompanha, diariamente? Termina de assistir a uma atração e já parte para outra?


Coloque um freio no seu consumo. Seja mais seletivo. Faça um detox dos excessos.


A síndrome do pensamento acelerado não é um destino estabelecido, ainda que o contexto cotidiano, tantas vezes, sugira o contrário.


Não se trata de abrir mão de recursos facilitadores ou negligenciar o acesso às informações. A chave está na escolha consciente de seus usos.


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