Enxaqueca: sintomas e como evitar novas crises

Os sintomas da enxaqueca vão muito além de uma dor de cabeça. Veja mais de 30 outros incômodos que costumam acontecer durante as crises — e aprenda a evitá-los.

A enxaqueca ocupa o primeiro lugar entre as doenças incapacitantes que afetam a faixa etária de 15 a 49 anos.

Fatos sobre a enxaqueca

  • É uma doença neurológica que afeta 1 bilhão de pessoas no mundo.

  • Seu principal sintoma são as dores de cabeça latejantes, que duram de 4 a 72 horas.

  • 90% dos pacientes são incapazes de trabalhar ou funcionar normalmente durante uma crise de enxaqueca.

  • Depressão, ansiedade e distúrbios do sono são comuns para pessoas com enxaqueca crônica.

  • Cerca de 10% das crianças em idade escolar e até 28% dos adolescentes entre 15 e 19 anos sofrem de enxaqueca.


Diferença entre enxaqueca e dor de cabeça comum


Os sintomas da enxaqueca diferem — e muito! — de uma dor de cabeça comum.


Tanto que, segundo um estudo do The Journal of Headache and Pain, a enxaqueca ocupa o primeiro lugar entre as doenças incapacitantes que afetam a faixa etária de 15 a 49 anos.


Isso significa que, longe de ser uma “dorzinha incômoda” — que vai embora com um comprimido — a enxaqueca compromete a qualidade de vida de modo avassalador. Ela interfere na capacidade intelectual, no desenvolvimento da carreira profissional, nos relacionamentos sociais e até mesmo na perspectiva de futuro.


Mas por que o problema é tão sério?


Resumidamente, poderíamos definir a enxaqueca como uma dor pulsante ou latejante — geralmente sentida na região das têmporas ou atrás do olho — que pode durar até 72 horas. E isso já seria motivo para entender o dano que causa ao bem-estar!


Contudo, os sintomas da enxaqueca são bem mais complexos e vão muito além desse incômodo.


Siga a leitura e aprenda a identificá-los.


Sintomas de enxaqueca: pródromo


A enxaqueca costuma acontecer em 4 fases: pródromo, aura, cefaleia (dor de cabeça) e pósdromo.


O primeiro estágio, o pródromo — também chamado de fase premonitória —, corresponde aos sinais percebidos horas (ou mesmo dias) antes da crise de dor de cabeça começar.

Cerca de 60% das pessoas que sofrem de enxaqueca relatam sintomas premonitórios, dentre os quais podemos citar:

  • rigidez muscular (especialmente nos ombros e pescoço);

  • maior sensibilidade à luz, som, toque e odores;

  • necessidade de urinar com mais frequência;

  • sede excessiva;

  • sonolência e bocejos incontroláveis;

  • mudança no apetite;

  • avidez por alimentos doces;

  • náuseas;

  • prisão de ventre ou diarreia;

  • irritabilidade;

  • humor deprimido;

  • dificuldade para ler ou falar.


Uma vez que boa parte dos sintomas do pródromo podem passar despercebidos, o ideal seria fazer um rastreamento diário para localizá-los.


Assim, haveria a possibilidade de detectar gatilhos da enxaqueca e modificar hábitos que, potencialmente, são responsáveis pelas crises.

Sugestão: utilize o método bullet journal para identificar, mais facilmente, os possíveis gatilhos das crises de enxaqueca.


Sintomas de enxaqueca: aura


Em 20% a 25% dos casos, os ataques de enxaqueca são precedidos ou acompanhados por distúrbios sensoriais chamados auras.


A aura aparece gradualmente e costuma durar de 5 a 60 minutos.

Os principais sintomas dessa fase incluem:

  • enxergar luzes piscantes, trêmulas ou padrões geométricos;

  • pontos cegos no campo de visão;

  • perda temporária da visão;

  • visão dupla ou embaçada;

  • sensação de peso e fraqueza muscular;

  • formigamento ou dormência de partes do corpo (é comum que a sensação comece na mão, evolua para o braço e acabe acometendo o rosto, os lábios e a língua);

  • vertigem (sensação de que tudo está girando);

  • perda de equilíbrio;

  • zumbido nos ouvidos;

  • distúrbios na fala e na compreensão da linguagem.


Sintomas de enxaqueca: cefaleia

Incômodo com luz, sons e cheiros é um sintoma comum da fase de cefaleia.

Nessa fase, a dor de cabeça se instaura e pode durar até 3 dias.


Geralmente, acomete apenas um lado da cabeça. Conforme a dor progride, pode migrar para o outro lado ou afetar ambos ao mesmo tempo.


Pessoas que sofrem com enxaqueca descrevem a dor de formas diferentes, remetendo a sensações como grande pressão sobre o crânio, punhaladas e impressão de que a cabeça irá explodir.

É comum que, somados à dor, os seguintes sintomas apareçam nesse estágio:

  • enjoos;

  • vômitos;

  • tonturas;

  • desmaios;

  • incômodo com luz, sons e cheiros;

  • ansiedade e nervosismo;

  • dificuldade para dormir;

  • dor no pescoço e nas costas.


Qualquer movimento ou mínimo esforço tende a piorar a sensação de dor latejante.


Por isso — e também para se afastar de estímulos sensoriais — durante os ataques de enxaqueca as pessoas procuram se deitar, preferencialmente num quarto escuro e silencioso.


Sintomas de enxaqueca: pósdromo


Pósdromo é a última fase de um crise de enxaqueca e se assemelha a uma “ressaca”.


Pode durar até 48 horas, independente do tempo de dor.


Ou seja, mesmo que a cefaleia passe em poucas horas, os efeitos do pósdromo podem persistir por dias.

Cerca de 80% das pessoas com enxaqueca experimentam esse estágio, cujos principais sintomas são:

  • fadiga intensa;

  • fraqueza muscular;

  • anorexia ou desejo por certos alimentos;

  • falta de concentração;

  • confusão mental;

  • dores no corpo;

  • tonturas;

  • dor de cabeça leve (residual).

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Sintomas de enxaqueca e saúde mental

Estudos indicam que até 50% das pessoas que sofrem com enxaqueca crônica também enfrentam transtornos de ansiedade.

Há um número crescente de pesquisas que avaliam a correlação entre enxaqueca e distúrbios de saúde mental.


Um exemplo é o estudo intitulado “A relação entre enxaqueca e transtornos mentais em uma amostra populacional” (disponível em inglês aqui), que aponta significativa associação entre enxaqueca e condições como:


Para você ter uma ideia, de acordo com a Anxiety and Depression Association of America (ADAA), até 40% dos pacientes com enxaqueca também sofrem de depressão.


Já no que diz respeito aos distúrbios de ansiedade, os números também impressionam.


Segundo artigo divulgado pela American Migraine Foundation, 20% das pessoas com enxaqueca episódica (menos de 15 ocorrências por mês) têm ansiedade.


A relação entre ansiedade e enxaqueca crônica (cefaleia por 15 ou mais dias no mês) é ainda maior, sendo que as duas condições coincidem para até 50% dos pacientes.


As causas da ligação entre enxaqueca e transtornos mentais ainda não foram devidamente esclarecidas.


No entanto, dado o impacto das dores frequentes, somadas a todos os demais sintomas de enxaqueca que listamos neste texto, podemos concordar que a condição compromete drasticamente a qualidade de vida.


Imagine viver com medo e incerteza quanto a novas crises, além das consequências debilitantes da dor.


Analisando apenas esse ângulo, já temos uma pista que justifica o elo entre depressão, ansiedade e enxaqueca.


Como prevenir os sintomas de enxaqueca


Quem sofre com os sintomas de enxaqueca sabe que medicamentos cumprem seu papel durante as crises.


Mas ficar refém desse recurso pode ser bastante frustrante.


Afinal, quem tem algum tipo de dor crônica deseja se ver livre do incômodo — e não apenas, literalmente, remediá-la.


Infelizmente, não há um protocolo padrão, capaz de eliminar as dores de cabeça em 100% dos casos.


No entanto, sabe-se que mudanças no estilo de vida são eficazes para reduzir os sintomas de enxaqueca.


Destacamos estratégias que você pode, facilmente, introduzir em seu cotidiano e verificar os resultados.


Que tal experimentar?


1. Identifique os gatilhos de sintomas de enxaqueca


As causas da enxaqueca são múltiplas. E os fatores que desencadeiam as dores também variam, de pessoa para pessoa.


Ou seja, os gatilhos (“facilitadores”) de suas crises podem não ser os mesmos daquele seu conhecido.


Não há uma resposta única. Portanto, o ideal é que você aprenda a observar associações entre seus sintomas e o que fez ou consumiu horas antes dos episódios.


Confira esta lista com potenciais gatilhos da enxaqueca:

  • dormir pouco ou dormir demais;

  • adoçante aspartame;

  • conservante glutamato monossódico (MSG);

  • chocolate;

  • cafeína (em excesso ou abstinência);

  • beber pouca água;

  • pular refeições (passar muito tempo em jejum);

  • mudanças de clima;

  • bebidas alcoólicas (em especial vinho tinto);

  • alimentos fermentados, curados ou em conserva;

  • estresse no trabalho;

  • cigarros;

  • exposição a cheiros fortes (como gasolina ou produtos de limpeza);

  • ambientes com ar condicionado;

  • período pré-menstrual.

Dica: faça uma lista com todos os possíveis gatilhos que puder coletar. Anote num diário — sugerimos o método bullet journal, que é mais prático — e assinale sempre que os experimentar.


Com o tempo, você irá enxergar um padrão.


Pode descobrir, por exemplo, que suas crises de enxaqueca costumam acontecer depois do final de semana — quando você muda seus hábitos de sono. Ou após usar molhos de saladas prontos — cheios de glutamato monossódico.


Conhecendo seus gatilhos, claro, você pode aprender a evitá-los, garantindo distância dos sintomas da enxaqueca.


2. Dê uma chance aos óleos essenciais


Você sabia que existem centenas de estudos científicos que comprovam os efeitos da aromaterapia?


Um artigo da revista médica European Neurology, por exemplo, mostra que a inalação de óleo essencial de lavanda, por 15 minutos, é capaz de atenuar (ou até eliminar) os sintomas da enxaqueca.

Outra pesquisa, publicada no periódico International Journal of Clinical Practice, atesta que uma solução com 10% de óleo essencial de hortelã-pimenta — aplicada na testa e nas têmporas — promove alívio de sintomas típicos da enxaqueca, como dor, náuseas, vômito, sensibilidade à luz e ruídos.


São bons argumentos para você investir nessa terapia alternativa, não é mesmo?


3. Mantenha sua rotina nos trilhos


A regularidade de hábitos saudáveis é grande aliada de uma vida livre de dores de cabeça.


Robert Cowan, chefe da Divisão de Medicina da Dor de Cabeça da Universidade de Stanford, é categórico: “a enxaqueca é um problema entre você e seu ambiente”.

Claro, existem coisas que não podemos controlar — como o clima e imprevistos.


Mas boa parte de nossa relação com o ambiente se dá por meio de nossas escolhas diárias — ou seja, nosso comportamento.


Segundo Cowan, o compromisso com padrões de comportamento benéficos é a chave para gerenciar os sintomas da enxaqueca.


Assim, ele recomenda consistência quanto aos horários de sono, refeições e exercícios físicos.


Essa estabilidade repercute no bom funcionamento do cérebro, afirma o especialista.


4. Agende uma massagem


Outra estratégia simples, que você pode adotar em seu cotidiano, é experimentar massagens terapêuticas.


De acordo com estudo divulgado pela Universidade de Oxford, basta uma sessão de massagem por semana para reduzir a frequência das crises de enxaqueca, melhorar a qualidade do sono, diminuir o estresse e aprimorar habilidades de enfrentamento.

5. Cuide de sua postura


Sobrecarregar os músculos da cabeça, pescoço e ombros pode causar sintomas de enxaqueca.


Se você passa longas horas curvado sobre seu computador, por exemplo, considere fazer ajustes nos móveis que utiliza, deixando sua postura mais ereta.


6. Proteja-se do sol


Além da fotofobia ser um dos sintomas de enxaqueca, muitos pacientes são mais sensíveis à luz do que as outras pessoas — mesmo quando não estão sentindo dor de cabeça.


Para se prevenir desse incômodo, que pode ser gatilho para novas crises, aposte no uso de óculos de sol.


Se necessário, complemente a proteção com um boné ou chapéu.


Também reduza a exposição ao brilho excessivo de telas de celular, computadores e demais luzes artificiais.


7. Gerencie seu estresse


Segundo a American Migraine Foundation, até 70% das crises de enxaqueca são desencadeadas pelo estresse.


Lógico, seria perfeito se pudéssemos eliminar todos os fatores estressantes do nosso dia a dia. Mas sabemos que essa meta é pouco realista…


Então, o que podemos fazer?


A solução é melhorar nossa resposta fisiológica ao estresse.


Para tanto, a principal estratégia é fazer terapia (que pode ser realizada online), a fim de desenvolver habilidades de enfrentamento mais assertivas.


Outras sugestões incluem:


Se você quiser dicas adicionais para limitar o estresse — e, consequentemente, os sintomas da enxaqueca —, basta acessar nossos perfis nas redes sociais (Instagram e Facebook).


O conteúdo que compartilhamos por lá é voltado à promoção de saúde física e mental.


Certamente você encontrará várias orientações que se aplicam à sua busca por maior qualidade de vida.


8. Aposte numa dieta antienxaqueca


Para evitar crises de enxaqueca, faça de sua alimentação uma aliada. Abaixo, listamos 10 itens que você pode incluir em seu cardápio habitual:

  • arroz integral;

  • salmão;

  • quinoa;

  • gengibre;

  • fígado;

  • cenoura;

  • azeite extravirgem;

  • couve;

  • figo;

  • sementes de abóbora.


Enquanto alguns alimentos oferecem vitaminas e nutrientes capazes de prevenir as crises de enxaqueca, outros funcionam na direção oposta — e são verdadeiros gatilhos para novos episódios de dor intensa.


Queijos, carnes curadas e processadas (bacon, salsicha, presunto…), frutas cítricas e batatas fritas estão entre os vilões conhecidos.

Mas é importante destacar: os gatilhos das enxaquecas mudam de pessoa para pessoa.


Logo, mais do que conhecer os “alimentos suspeitos” — e os potencialmente benéficos — o fundamental é que você perceba como seu organismo reage às suas escolhas.


Pense na enxaqueca como uma alergia.


E revise tudo o que comeu antes dos episódios das crises para encontrar possíveis associações.


O que fazer durante uma crise de enxaqueca

  • Retire-se para um lugar escuro e silencioso.

  • Tome os analgésicos indicados pelo seu médico o mais rápido possível (eles podem não funcionar quando os sintomas se agravam).

  • Tente comer alguma coisa (bolachas, por exemplo).

  • Beba bastante água.

  • Para algumas pessoas, um pouco de café atenua os sintomas.

  • Faça exercícios de relaxamento e controle da respiração.

  • Experimente colocar uma bolsa de gelo nos pontos de dor.

  • Se a temperatura fria não fizer efeito, tente algo quente. Uma compressa ou um banho podem ajudar.

  • Procure dormir.

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