Somatização: quando o corpo reflete as dores da mente



A somatização ocorre quando emoções ou problemas de ordem psicológica se manifestam por meio de sintomas físicos.


De forma leve, todos nós somatizamos, em diferentes situações da vida. Por exemplo, derramamos lágrimas, quando estamos tristes. Ruborizamos, quando sentimos vergonha. Nossa respiração e batimentos cardíacos aceleram, quando estamos ansiosos ou amedrontados.


Nesses casos, a conexão entre corpo e mente é logo reconhecida e percebida como natural, entendemos que o efeito tem causa específica e o mal-estar se afasta, conforme a emoção é superada.


No entanto, quando falamos em somatizações que causam transtornos à qualidade de vida, a relação é menos óbvia — e mais severa.


Os sintomas são persistentes. E, como não são consequências evidentes de circunstâncias psicológicas, costumam levar o paciente a investigar possíveis causas orgânicas.


Mas a somatização não está ligada a doenças físicas. Logo, todos os exames laboratoriais indicarão que tudo está “normal”.


A dificuldade do diagnóstico é apenas um dos entraves que a condição impõe. Há, também, muito preconceito e descaso com pessoas que vivenciam o problema.


Entenda melhor o assunto, acompanhando o texto a seguir.


Somatização: o sofrimento é real?


Uma situação típica do paciente somatizador é procurar por médicos, especialistas no órgão ou tipo de dor que sentem, para obter diagnóstico.


Porém, quando a análise clínica aponta inexistência de uma desordem física, tudo se complica.


Não raro, as pessoas que convivem com o somatizador passam a encarar as queixas como fingimentos, exageros, formas de chamar a atenção.


“Isso é coisa da sua cabeça”, dizem, como se o argumento anulasse a veracidade dos sintomas.


Sim, é verdade, o problema está na “cabeça”! Mas desde quando o que se passa no cérebro é menos real do que se passa no estômago?


Conforme bem pontua o psicólogo Guy Winch, “está na hora de fecharmos a lacuna entre nossa saúde física e emocional”.


Ambas estão profundamente conectadas. Até porque — aparentemente esquecemos disso — o cérebro faz parte do corpo! Portanto, o que se passa em nossa mente interfere em nossa saúde global.


O somatizador não é um louco ou um mentiroso. Suas dores e sofrimentos físicos são sinalizações concretas do corpo, que encontra, nesses meios, uma forma de transbordar emoções negativas. E solicitar cuidados.


Leia também: Técnicas para sair de pensamentos negativos


Quais são as causas da somatização?


As causas exatas da somatização não estão plenamente esclarecidas. Contudo, hipóteses bastante aceitas incluem:

  • Estresse e episódios traumáticos: o aumento do cortisol e outros hormônios são comuns em pessoas que vivenciam rotinas estressantes ou passaram por traumas. O desequilíbrio hormonal pode resultar em inúmeros sintomas físicos (que serão detalhados no próximo tópico do texto).

  • Maior sensibilidade biológica à dor e emoções.

  • Influência familiar (genética ou ambiental).

  • Pouca consciência das emoções ou dificuldade de administrá-las: identificar sentimentos pode ser uma incógnita tanto para adultos quanto para crianças. A somatização seria, então, um recurso do inconsciente, para dar vazão a sofrimentos psicológicos não resolvidos.

  • Fatores culturais: preconceitos em relação à saúde emocional tendem a minimizar efeitos de abalos psicológicos, conforme já mencionamos. Todavia, o sofrimento não desaparece apenas porque o ignoramos. Como o mal-estar físico recebe maior atenção, é possível que a mente opte por transferir ao corpo os sinais da disfunção, como forma de comunicar a necessidade de ajuda.


Quais os sintomas da somatização?


Há uma significativa variedade de sintomas somáticos. Dentre as queixas mais frequentes, destacam-se:

  • dores de cabeça, nas costas, articulares, abdominais, no peito ou difusas (no corpo inteiro);

  • vômito;

  • náuseas;

  • diarreia;

  • intolerância alimentar;

  • tonturas;

  • desmaios;

  • palpitações;

  • falta de ar;

  • fraqueza muscular;

  • fadiga;

  • dificuldade para urinar;

  • menstruação irregular ou dolorosa;

  • visão turva;

  • surdez;

  • perda de voz;

  • amnésia.


Como diagnosticar e tratar a somatização?


O primeiro passo é, de fato, buscar ajuda médica e realizar os exames solicitados, com objetivo de excluir patologias orgânicas.


Uma vez que as causas físicas estejam descartadas, o diagnóstico de somatização é considerado, levando em conta as seguintes situações:

  • manifestação de 3 (ou mais) sintomas orgânicos distintos;

  • evolução crônica dos mal-estares relatados;

  • intensidade de incômodos, incompatíveis com a saúde física atestada pelos exames.


O médico também deve observar o histórico do paciente. A recorrente procura por especialistas, sinalizando o insucesso da descoberta de causas orgânicas para os sintomas, pode ser interpretado como indício de somatização.


Outro aspecto relevante é a presença de transtornos mentais já diagnosticados. Pessoas com depressão, ansiedade e bipolaridade, por exemplo, são suscetíveis à somatização.


Para que os sintomas sejam atenuados, a saúde emocional deve ser privilegiada. Dessa forma, o encaminhamento para um psicólogo e psiquiatra é fundamental.

Vale, ainda, destacar que a somatização é, essencialmente, um sintoma e não uma doença.


Além de integrar quadros relacionados a transtornos de humor e de personalidade, as queixas somáticas também podem ser indícios de:

  • transtorno conversivo;

  • transtornos factícios;

  • transtorno de ansiedade de doença (ou transtorno hipocondríaco);

  • transtorno de sintoma somático.


Cada um desses distúrbios apresenta características próprias, embora a somatização seja um elemento em comum.


Se você quiser saber mais sobre algum dos transtornos acima mencionados, deixe sua sugestão nos comentários. Conhecendo seu interesse, poderemos trazer informações específicas e esclarecer suas dúvidas! #Psicologia #Psicóloga #Somatização #SaúdeMental #TerapiaCognitivoComportamental

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