TOC: esclareça suas dúvidas sobre o transtorno obsessivo compulsivo


Para começar, será que você sabe, realmente, o que significa TOC?

TOC (ou transtorno obsessivo compulsivo) é uma condição mental grave e complexa, que afeta cerca de 2% da população mundial — e, estima-se, aproximadamente 8 milhões de brasileiros.


Sua principal característica é a recorrência de pensamentos intrusivos e perturbadores, assim como a manutenção de comportamentos ritualísticos e obsessivos.


A expressão “TOC” adquiriu certa popularidade nos últimos anos, sendo utilizada — infelizmente — de forma bastante equivocada em muitas situações.


É comum, por exemplo, que pessoas afirmem ter “toc de limpeza” ou “de organização” apenas porque gostam de manter a casa arrumada ou são disciplinados com hábitos de higiene.


Mas o transtorno obsessivo compulsivo está longe de ser algo tão simples.

E banalizar o termo serve, apenas, para criar mitos — como a suposição de que é possível se desligar do comportamento sempre que for conveniente.


Pessoas com TOC não conseguem se livrar dos imperativos do distúrbio simplesmente decidindo relaxar ou pensar em outra coisa.


Aqueles que, de fato, vivenciam o transtorno, são prisioneiros de suas obsessões. Elas ocupam parte significativa da rotina, causando intenso sofrimento. Não raro, resultam em problemas nas atividades profissionais, sociais e nos relacionamentos.

Quem tem TOC é louco?


Ora, se o TOC está associado a pensamentos obsessivos bizarros e comportamentos estranhos, seria legítimo interpretá-lo como um tipo de loucura, certo? Errado!


Primeiro porque usar a palavra “louco” já é um equívoco. Esse rótulo remonta ideias ultrapassadas, que viam problemas de saúde mental como doenças incuráveis e contagiosas.


Desde os estudos de Sigmund Freud — ainda no século XIX — passamos a desenvolver um conhecimento mais realista da mente.


Hoje, sabemos que doenças psicológicas têm causas concretas, que podem ser diagnosticadas, tratadas e gerenciadas.


Loucura, portanto, é sempre uma expressão errada.


Porém, apesar de dispormos de boa informação sobre saúde mental, ainda debatemos muito pouco o assunto.

Por falta de conhecimento, alimentamos medos e preconceitos, que nos fazem menosprezar ou mal interpretar sintomas de distúrbios tratáveis — como o TOC.


Assim, as próprias pessoas com TOC podem compreender errado sua condição e sofrer com o medo de estarem “ficando loucas” — quando, na verdade, experimentam um transtorno de ansiedade, sobre o qual há muita pesquisa e propostas de soluções funcionais.


Conforme pontua Janet Singer, em OCD: Rational People, Irrational Disorder (TOC: Pessoas Racionais, Transtorno Irracional), “pessoas com TOC podem se sentir sozinhas, mas não o são. Precisamos divulgar que esse não é um distúrbio incomum, e aqueles que sofrem disso não têm motivos para sentir culpa ou vergonha. Eles são pessoas racionais com um distúrbio irracional”.



O que leva uma pessoa a desenvolver o TOC?



Embora muito se saiba sobre o TOC, os pesquisadores ainda não conseguiram identificar uma causa definitiva, comum a todos os casos de diagnóstico do transtorno.


Contudo, as evidências sugerem que fatores biológicos, psicológicos e a neuroquímica do cérebro são potenciais desencadeadores dos padrões obsessivos-compulsivos.


Assim, para chegar à conclusão das possíveis causas do TOC, médicos e psicólogos avaliam seus pacientes — de forma individualizada — buscando indícios como:

  • predisposição genética;

  • traumatismos cranioencefálicos, derrames ou acidentes vasculares cerebrais;

  • desequilíbrio na produção de serotonina;

  • traumas de infância ou na idade adulta — incluindo negligência parental, bullying, abuso sexual, assédio moral, bem como outras experiências violentas ou perturbadoras;

  • estresse crônico;

  • desenvolvimento de padrões de enfrentamento disfuncionais — sendo que os comportamentos compulsivos, ritualísticos e a evitação de objetos ou situações são formas mal-adaptativas de resposta à ansiedade.

Quais são os tipos de TOC?


Apesar dos sintomas do TOC serem bastante variados, os pesquisadores observam que eles costumam se enquadram em pelo menos uma das 4 categorias principais:

  • medo de contaminação;

  • impulso de verificação;

  • necessidade de simetria, organização e contagem;

  • ruminação e pensamentos obsessivos.

Como identificar se uma pessoa tem TOC?



Da mesma forma que as causas do transtorno não são as mesmas para todos, os sinais e sintomas do TOC também diferem, de pessoa para pessoa.


É incorreto imaginar, por exemplo, que todas as pessoas com TOC apresentam comportamentos repetitivos — por vezes, a obsessão não é externalizada, ficando restrita a pensamentos angustiantes e recorrentes.


Podemos, contudo, conhecer alguns exemplos de TOC, de modo a identificarmos circunstâncias suspeitas. Dentre essas, podemos listar:

  • medo persistente de contrair doenças;

  • preocupação exagerada com germes e sujeira;

  • sentimentos de repulsa por resíduos, secreções corporais ou substâncias pegajosas;

  • aversão a certos alimentos;

  • pensamentos proibidos, inaceitáveis ou indesejados, envolvendo sexo e religião;

  • medos obsessivos sobre orientação sexual;

  • preocupações excessivas sobre moralidade e "certo ou errado";

  • obsessões sobre o corpo;

  • pensamentos violentos em relação a si próprio ou aos outros;

  • medos supersticiosos (direcionados a certos números, cores ou sinais considerados de sorte ou azar);

  • receio de agir de modo inadequado em situações sociais;

  • dificuldade de se desfazer de objetos (transtorno de acumulação compulsiva);

  • repetição exaustiva de rituais de limpeza (lavar as mãos, escovar os dentes, tomar banho…);

  • verificação compulsiva de coisas (portas trancadas, fogão e eletrodomésticos desligados, por exemplo);

  • contagem sistemática de objetos ou repetição de palavras, para reduzir a ansiedade;

  • extrema necessidade de organização e alinhamentos de objetos;

  • medo infundado de infidelidade e ciúme excessivo (TOC de relacionamento).

Se você se identifica com os sintomas de TOC apontados acima, converse com um psicólogo.


Embora complexa, a condição tem tratamento — e a terapia cognitivo comportamental (TCC) se mostra muito eficaz no gerenciamento do distúrbio.


Confira, também, nossos conteúdos nas redes sociais (Facebook e Instagram) para obter outras informações sobre TOC e cuidados com a saúde mental.


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