Não confunda TOC com hábito – Confira os sintomas e como o transtorno se manifesta

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é uma desordem mental popularmente conhecida por manifestar-se através de obsessões e comportamentos peculiares. No filme de comédia espanhola “Toc Toc”, a realidade desses pacientes foi transmitida de uma forma cômica e estereotipada, porém com alguns aspectos reais.


Obsessão por lavar as mãos sempre que tocar em qualquer objeto, medo de contaminação, compulsão por acúmulo de objetos, simetria e outros, são alguns exemplos que podem acometer pacientes que sofrem de TOC.


Geralmente as pessoas possuem manias ou preferências que fazem parte da sua trajetória de vida, hábitos familiares, entre outras questões. Porém no TOC não são apenas hábitos, mas condutas obsessivas e incontroláveis. Dificulta a vida do pessoa, gera constrangimento e embaraços seja no ambiente profissional ou relacionamentos gerais.


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Embora seja considerado um transtorno psiquiátrico, a terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem terapêutica também aplicada no tratamento do TOC. Vamos falar sobre as manifestações mais comuns do transtorno, o que difere o TOC de manias. Veja mais a seguir.


Quando ocorre o diagnóstico?


O TOC pode surgir associado a outros transtornos, como a depressão, ansiedade, ou o Transtorno de déficit de atenção(TDAH). A Organização Mundial da Saúde classifica o TOC como a quinta causa de incapacitação entre mulheres dos 15 aos 44 anos.


As manifestações geralmente ocorrem precocemente ainda na infância e quando não tratada pode tornar-se crônica. O TOC não é uma mania, portanto não desaparece de forma espontânea. São sintomas que atormentam ao longo de toda a vida, alterando somente a intensidade.


Um alerta sobre o TOC é que muitas pessoas convivem com problema e nunca receberam nenhum tipo de diagnóstico. É um transtorno confundido com manias, hábitos e superstições, portanto é fundamental sinalizar sobre a gravidade e os impactos para a saúde emocional e física.


Como ocorrem as obsessões manifestadas no TOC?


Não devemos confundir hábitos que podem ser obsessivos, com TOC. É importante destacar uma diferença essencial, diante de um hábito você irá ter o controle, principalmente se a manifestação dele for te atrapalhar num contexto importante.


Vou citar um exemplo de TOC bastante peculiar como a síndrome de Tourette que também está associada aos sintomas obsessivo-compulsivos. Na síndrome de Tourette o paciente possui um distúrbio neuropsiquiátrico que provoca tiques motores e vocalizações que causam constrangimento.


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Agora imagina estar numa entrevista de emprego e ter movimentos ou vocalizações involuntárias, como tossir, fungar, franzir toda a musculatura da face ou pior, falar um insulto.


Não são apenas hábitos, são transtornos gerados por alterações neurológicas que afetam negativamente a vida da pessoa, em alguns casos eliminam oportunidades tanto na carreira profissional, como na amorosa, o que gera repulsa ou afastamento dos demais.


Outro exemplo é estar numa negociação importante com um cliente e sair várias vezes para lavar as mãos. Sabemos que existem impressões e que os comportamentos são predominantes nessa interpretação. Logo, pessoas que possuem TOC são gravemente afetadas.


Quem possui TOC não obtém controle, sobretudo em cenários que o comportamento está sendo avaliado. Nesse caso, a manifestação pode ser ainda mais intensa por conta da ansiedade e receio da avaliação negativa que pode transmitir.


Exemplos de obsessões que podem acometer pessoas com TOC:


  • Dúvidas e verificações constantes que dificultam a rotina;

  • Medo extremo de contaminação ao tocar em lugares que considere sujo ou contaminado, por exemplo, maçanetas, torneira ou dinheiro,entre muitos outros;

  • Hipervigilância aos possíveis estímulos e situações que provocam as obsessões;

  • Tentativa falha de afastar o pensamento ou neutralizar;

  • Comportamentos para evitar situações que geram o desconforto;

  • Nojo ao ter contato ou acesso com objetos que considera repugnante. Os principais sintomas são palidez, diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial;

  • Acumular objetos sem nenhuma utilidade, seja no presente ou futuro: caixa de pizza, bucha usada de furadeira ou chaves que nem sabe de onde são;

  • Tricotilomania (mania de arrancar e comer cabelos), roer unhas e automutilações podem surgir em pacientes com TOC.

  • Rituais motores: caretas, fixar o olhar, piscar repetidamente, bater em algo, sentar e levantar sem um objetivo concreto;

  • As repetições contadas. Exemplo: apagar e acender a luz dez vezes ou algo muito ruim pode acontecer;

  • Usar luvas para cumprimentar as pessoas;

  • Não usar roupas ou tocar em objetos de determinada cor;

  • Conteúdo violento ou sexual exacerbado: evitar pegar bebês no colo por conta dos riscos de obter um pensamento desagradável e impulsivo de jogá-lo pela janela;

  • Impulsos violentos incontroláveis: desejo de dar um soco em alguém fora de contexto;

  • Escovar os dentes um número determinado de vezes, par ou ímpar;

  • Atar e desatar o cadarço. Entre outros.


Como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) auxilia


Uma das primeiras técnicas para aliviar a tensão do TOC abordada pelo modelo cognitivo-comportamental é o reforço negativo, ou habituação, que consiste em realizar as compulsões e enfrenta-las a partir de novos modelos cognitivos.


Por exemplo, no lugar de ver a mãe morta ao se deparar com uma situação que provoca o TOC, associar a imagem mental da família reunida e feliz.


Outra abordagem utilizada é a Exposição e Prevenção de Respostas (ERP) que são pensamentos automáticos que justificam o comportamento obsessivo.  Existe a exposição ao cenário que provoca ansiedade ou estresse e a supervisão da equipe para que os pensamentos (rituais) sejam evitados.


Quando a medicação é necessária para reequilibrar as emoções?


Vale lembrar que o TOC possui muitas variações, o que é um desafio para a clínica abordar o melhor tratamento. Inúmeros estudos evidenciam o sucesso no tratamento por meio da TCC. As pessoas respondem de maneira positiva aos novos estímulos e a reversão dos hábitos.


Dependendo do caso, será indicado pelo psiquiatra a ingestão de medicamentos antipsicóticos para atenuar a intensidade dos tiques a fim de proporcionar melhor qualidade de vida e amenizar os constrangimentos.


Referências:


http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462008000600003


https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/transtorno-obsessivo-compulsivo-toc-entrevista/


https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=fLw3AgAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA4&dq=TOC+TCC&ots=T3IcmHZ60Y&sig=W3glxlH-hEpZz_Hhuf26q3dlUj8#v=onepage&q=TOC%20TCC&f=false




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