Tripofobia: o “medo de buracos”


O que é tripofobia? Quais suas causas? Sintomas? Gatilhos? Há um teste para detectar a fobia? Descubra, neste texto, tudo sobre o curioso “medo de buracos”.


A definição de tripofobia é medo de buracos.
Estudos apontam que a tripofobia é experimentada, em algum grau, por cerca de 16% da população.

Índice


O que é tripofobia?


Tripofobia é o termo utilizado para descrever um transtorno psicológico, caracterizado por reações de medo, repulsa e ansiedade diante de agrupamentos de pequenos orifícios ou padrões irregulares (de formato semelhante ou idêntico a círculos).


A origem da palavra deriva do grego: trýpa ("buraco" ou "perfuração") e phóbos ("medo").


Sempre que nos referimos a um tipo de fobia, o ponto central é o caráter excessivo, desproporcional ou irracional que a sensação de medo adquire.


Ou seja, uma pessoa que tem fobia de buracos expressa aversão incomum a imagens com padrões circulares. Não porque esses padrões representem perigo real. Mas porque existe uma associação inconsciente, que atribui aos buracos um sentido de ameaça.


Uma ameaça imperceptível e incoerente, para todos que não partilham da condição.


Tripofobia é um transtorno de saúde mental?


A tripofobia não é reconhecida pela atual versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria (APA). Isso significa que o medo de buracos não é “oficialmente” considerado um distúrbio mental.


No entanto, existem estudos — publicados em periódicos como Psychological Science e Quarterly Journal of Experimental Psychology — cujos dados sugerem que a tripofobia é experimentada, em algum grau, por cerca de 16% da população.


Quais são as causas da tripofobia?


Não existem certezas a esse respeito, mas algumas hipóteses são pontuadas.


Uma das teorias mais debatidas diz respeito às causas de cunho evolucionário.


Segundo essa linha de pesquisa, o repúdio aos buracos e demais padrões circulares consiste numa resposta a estímulos que lembrem sinais de doenças infecciosas (como catapora, sarampo e escarlatina) ou presença de parasitas.


Manter distância desses indícios seria, portanto, um reflexo exagerado e generalizado de um recurso desenvolvido por nossos ancestrais, no intuito de garantirem a sobrevivência.


Os psicólogos Arnold Wilkins e Geoff Cole seguem um raciocínio similar, propondo que a tripofobia é um vestígio do instinto de evitar animais perigosos (como cobras, jacarés, aranhas, insetos e sapos venenosos).


Quem sofre com o transtorno estaria esboçando uma associação inconsciente, transferindo às imagens e objetos inofensivos a cautela apreendida.


Em paralelo a essas argumentações, vale pontuar a tese defendida por Arnold J. Wilkins e Paul Hibbard. De acordo com os autores, a aversão ocorre porque os padrões apresentam propriedades matemáticas.


Esses, por sua vez, não são processados de modo eficiente pelo cérebro, exigindo oxigenação acima do normal. Logo, o desconforto visual seria uma sensação intrínseca ao ser humano.


Quais são os principais gatilhos da tripofobia?

Desencadeadores e gatilhos da tripofobia
A aversão aos pequenos buracos pode aparecer diante dos mais variados objetos. A configuração das 3 câmeras do iPhone 11, por exemplo, foi apontada como gatilho de desconforto visual por tripofóbicos.

O conhecimento sobre o transtorno ainda é bastante embrionário. Contudo, as pesquisas disponíveis apontam um conjunto de gatilhos, frequentemente observados como desencadeadores da fobia.


De forma geral, tais gatilhos referem-se a imagens que apresentam uma soma de buracos, perfurações, pontos, bolhas, manchas ou protuberâncias. Como exemplos, podemos mencionar:

  • vagens de sementes da flor-de-lótus;

  • verrugas em grande quantidade na pele humana;

  • kiwis fatiados;

  • morangos;

  • esponjas;

  • céu da boca (palato) coberto por dentes;

  • favos de mel;

  • bolhas de sabão;

  • espuma de café;

  • poros da pele;

  • escumadeira;

  • chocolate aerado;

  • aglomerados de olhos e rostos humanos;

  • padrões pontilhados;

  • corais;

  • condensação de água;

  • folículos capilares;

  • imagens em alto relevo da pele humana;

  • colmeias;

  • tubos empilhados, vistos de frente;

  • romãs;

  • queijo suíço;

  • manchas/padrões na pele ou pelo de animais;

  • aglomerados de olhos em insetos;

  • chuveiros;

  • plástico bolha.


Quais são os sintomas da tripofobia?


Além do medo irracional, aversão e nojo, é comum que tripofóbico experimente outras reações, que incluem:

  • náuseas;

  • vômito;

  • arrepios;

  • sudorese;

  • respiração ofegante;

  • falta de ar;

  • choro;

  • tremores;

  • tontura;

  • esquiva fóbica (fechar os olhos ou cobrir, com as mãos, a imagem contendo buracos, para não visualizá-la);

  • batimentos cardíacos acelerados;

  • desconforto visual (fadiga ocular, distorções ou ilusões);

  • dores de cabeça;

  • mãos úmidas;

  • inquietação;

  • ansiedade;

  • desmaio;

  • ataques de pânico.

Os pesquisadores Tom R. Kupfer e An T. D. Le, autores do estudo Disgusting clusters: trypophobia as an overgeneralised disease avoidance response acrescentam:


"Além de sentimentos prototípicos relacionados ao nojo como náuseas, muitos indivíduos tripofóbicos descreveram sentir sensações desagradáveis ​​na pele, como pele formigando, coceira na pele e até mesmo a sensação de 'insetos' infestando a pele."

Certos comportamentos também podem ser adotados pelas pessoas que sofrem com a fobia de buracos, com objetivo de se esquivar do mal-estar.


Por exemplo:

  • rejeitar alimentos com os padrões que despertam repulsa;

  • sair de ambientes onde a decoração envolva motivos pontilhados;

  • evitar roupas e objetos com estampas que remetam aos agrupamentos desencadeadores dos sintomas.


Há um teste de tripofobia?


O teste para saber se você sofre de tripofobia consiste, essencialmente, na exposição a imagens de aglomerados de círculos, furos e buracos. É a intensidade de suas reações que sugere o indício da fobia.


Existem alguns testes disponíveis online, tais como o Implicit Trypophobia Measure — que visa reunir dados para pesquisas.


Ao optar por fazer um autoteste, saiba que sentir um pouco de desconforto é normal, mesmo para aqueles que não são tripofóbicos.


Porém, se as sensações que te ocorrem forem muito angustiantes, é preferível que você interrompa a visualização das imagens.


Existe cura para a tripofobia?


O tratamento para o “medo de buracos” é o mesmo recomendado para outros tipos de fobia. A gravidade dos sintomas é que determinará a abordagem mais sensata.


Ou seja, quando o incômodo não traz prejuízos significativos à qualidade de vida, não é necessário buscar ajuda especializada.


Uma sugestão, nesses casos, é visualizar várias imagens acionadoras, a fim de acostumar-se com elas e criar tolerância.


Como um auxílio extra, você pode experimentar técnicas de respiração profunda e relaxamento, para distrair a mente e controlar as reações do corpo.


Afinal, se não é possível excluir, definitivamente, do campo de visão esse tipo de imagem, o mais oportuno é encontrar estratégias de enfrentamento.


Porém, nem sempre essas táticas de autoajuda são suficientes.


Há circunstâncias nas quais o tripofóbico enfrenta sintomas mais intensos e sua capacidade de autocontrole se mostra bastante comprometida.


O ideal, então, é procurar por um psicólogo.


Geralmente, o profissional conduz o tratamento propondo gradual observação de figuras associadas ao medo — processo denominado terapia de exposição — ou opta por terapia cognitivo comportamental (TCC) — que investiga padrões de comportamentos e pensamentos, buscando interrompê-los e transformá-los em reações positivas.


Em situações específicas, o uso de medicamentos (antidepressivos ou ansiolíticos) pode ser recomendado por um psiquiatra.


Essa abordagem é útil quando se verifica que, além da tripofobia, o indivíduo sofre com outros distúrbios mentais, como:

Ainda tem alguma dúvida sobre a tripofobia ou curiosidade sobre outro tipo de medo? Então deixe suas perguntas ou sugestões nos comentários!





Clinica de Psicologia Nodari

Clínica de Psicologia Especializada em Terapia Cognitivo Comportamental.

Está localizada na Vila Mariana/SP

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